YouTube resgata hábito de trocar de canal para conquistar a TV

Você liga a tela no centro da sala. Escolhe um canal de filmes de ação. Depois passa para romances. Mais tarde, troca para notícias. Mas é tudo no YouTube na TV – que, dizem, não é televisão de verdade.

“Se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato”.

Em maio, a brasileira Sofa Digital anunciou uma parceria com o Google para levar 16 canais lineares ao YouTube na América Latina, Estados Unidos e Portugal. Entre eles estão Adrenalina Pura TV, Filmelier TV Paixão e Filmelier TV Esperança.

A movimentação acontece em um momento em que o YouTube já alcança 80 milhões de brasileiros pela TV.

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“Existe uma audiência muito propositiva, que entra no YouTube procurando exatamente o que quer assistir. Mas está claro para nós que existe também uma parcela relevante que entra buscando algo mais passivo”, me disse Victor Machado, líder de parcerias para TV, cinema e esportes do YouTube no Brasil.

Para Fabio Lima, fundador e CEO da Sofa Digital, a oportunidade passa também pela curadoria. “Estamos seguindo nossa missão de combater o paradoxo da escolha, tentando organizar a vida das pessoas que navegam pelo YouTube na TV, onde a descoberta de conteúdo funciona de forma diferente.”

A chegada desses canais é interessante por si só, mas ela também ilustra uma transformação maior que vem acontecendo há alguns anos.

Durante muito tempo, o mercado discutiu a morte da televisão. Depois, passou a discutir a ascensão do streaming. Agora, a conversa mudou mais uma vez.

Na prática, o hábito de assistir conteúdo na tela da sala não desapareceu. O que mudou foi para onde o público vai quando liga a TV.

Na minha coluna desta semana no UOL, analiso por que a chegada dos canais lineares ao YouTube vai muito além de uma parceria comercial — e o que ela revela sobre o futuro da distribuição de conteúdo, da publicidade e do entretenimento.

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