Variety provoca: “O fim de Hollywood?”

Em março, escrevi que Hollywood não era mais o centro da indústria do entretenimento. Meu post em inglês viralizou entre profissionais dos Estados Unidos. Muitos concordaram. Outros me massacraram. Agora, a Variety – a revista mais importante da capital do cinema e da TV – estampa em sua capa desta semana a pergunta: “O fim de Hollywood?”.

A publicação aponta muitos dos mesmos sintomas que discuti há três meses, usando como exemplo o novo reboot de “Baywatch” (“SOS Malibu” no Brasil), que quase deixou Los Angeles, mas acabou permanecendo nas praias californianas.

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Acontece que, para cada vitória como essa, outras produções migram para diferentes partes dos Estados Unidos e do mundo – enquanto políticos dos governos municipal e estadual, tanto no Executivo quanto no Legislativo, não conseguem falar a mesma língua nem chegar a acordos sobre temas básicos.

O exemplo mais forte é o da nova versão de “Arquivo Confidencial” (“The Rockford Files”, no original): uma história ambientada em Los Angeles que será filmada em Atlanta.

A capa da Variety desta semana. Será esse o fim de Hollywood?
A capa da Variety desta semana. Será esse o fim de Hollywood?

De acordo com produtores ouvidos pela publicação, a matemática em LA simplesmente não fecha. O Reino Unido, por exemplo, oferece incentivos particularmente atraentes porque cobre não apenas custos de produção, mas também parte dos salários de atores, roteiristas e produtores – e, em alguns casos, até pagamentos futuros ligados ao lucro dos projetos.

Agora, a discussão avança para o nível federal, com propostas de incentivos nacionais para a indústria. Isso em um país historicamente mais federativo do que centralizador.

Há muitos anos, Lulu Santos cantou que iria para a Califórnia “viver a vida sobre as ondas”, “ser um astro de cinema” e que seu destino era “ser star”. Talvez esteja na hora de mudar o destino da canção.

A publicação original, com os comentários da época, está aqui.

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