Paramount adia compra da Warner e deixa fusão no limbo

Mais uma reviravolta na compra da Warner Bros. Discovery: a Paramount Skydance concordou em não concluir a aquisição até 1º de junho de 2027 — ou até que a Justiça decida o mérito das ações que tentam bloquear o negócio.

O acordo surpreende, mas, por enquanto, evita uma guerra de liminares. Mas tem mais coisas acontecendo aí.

O movimento acontece depois de 12 procuradorias estaduais entrarem na Justiça contra a aquisição e de o Writers Guild of America, sindicato dos roteiristas, apresentar também uma ação própria. Quem acompanha esse processo por aqui ou na minha coluna no UOL sabe que o risco nunca esteve apenas no tribunal. 

Só que Paramount decidiu, provavelmente, pagar (e esperar) para ver. 

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É que, para tornar sua oferta mais atraente e vencer a disputa contra a Netflix, os compradores aceitaram pagar aos acionistas da WBD um valor adicional caso a conclusão demorasse além do prazo previsto. É o chamado ticking fee, que pode custar cerca de US$ 7,1 milhões por dia a partir de 1º outubro.

No pior cenário previsto pelo acordo judicial de ontem, essa espera pode acrescentar algo próximo de US$ 1,7 bilhão ao preço da operação.

É um valor enorme. Mas, diante de uma transação estimada em cerca de US$ 110 bilhões, representa algo próximo de 1,6% do total. Dói? Claro. Mas, pelo jeito, não parece suficiente, sozinho, para fazer alguém desistir da aquisição.

O problema maior nem é esse.

David Ellison preferiu esperar de forma deliberada. Em vez de continuar disputando liminar por liminar, aceitou levar a discussão para o mérito e ganhar previsibilidade processual. Faz sentido. O custo financeiro pode ser absorvido, especialmente se ele acredita que a união criará valor por décadas.

Contudo, o dinheiro não é a única coisa que o tempo corrói.

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Paramount e Warner vão continuar sem integrar operações, sem capturar sinergias, sem reorganizar seus negócios e sem executar a estratégia que usam para justificar a própria fusão. Podemos discutir se criar um gigante ainda maior é realmente a resposta para os problemas dessas empresas, mas essa é a resposta que elas escolheram — e agora até isso vai demorar mais.

Enquanto isso, as duas ficam numa posição pior do que simplesmente seguir sozinhas. Não têm ainda a força da empresa combinada, mas também já não possuem a mesma liberdade para tomar decisões independentes como se a proposta de fusão não existisse.

A Paramount chegou a dizer, no início desse processo, que a ofensiva judicial beneficiava a Netflix. Talvez tenha sido específica demais. O principal beneficiado é tudo o que a empresa de streaming representa: concorrentes que podem continuar andando enquanto Warner e Paramount permanecem presas a uma união que ainda não aconteceu.

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