A Warner Bros. acabou de criar um novo selo de cinema, chamado Clockwork. Mas não é mais um estúdio de blockbusters: é exatamente o oposto disso, e essa inversão diz muito sobre um dos caminhos que Hollywood está trilhando.
A iniciativa foi anunciada esta semana na CinemaCon, em Las Vegas. O nome não é à toa: além da referência óbvia a Stanley Kubrick, carrega a ideia de funcionar com precisão cirúrgica — da escolha dos projetos até o lançamento.
Para operar assim, a Warner foi buscar três executivos diretamente da Neon, um dos estúdios que melhor soube transformar curadoria, timing e marca em vantagem competitiva nos últimos anos.
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Já tem até projeto anunciado: “Ti Amo!”, o próximo filme de Sean Baker, para 2027 — diretor de “Anora”, filme da Neon que venceu o Oscar no ano passado.

O que torna essa jogada interessante não é o anúncio em si, mas o que ele revela sobre o momento da Warner. A divisão teve resultados expressivos nos últimos tempos — 11 Oscars só neste ano, crescimento de 33% na bilheteria global em relação a 2024 —, mas seus presidentes, Michael De Luca e Pamela Abdy, precisam pensar para além dos blockbusters de grande orçamento.
A Warner tenta reproduzir o que empresas como Neon e A24 construíram ao longo de anos: orçamentos modestos, alto potencial de retorno, curadoria afiada, marketing de guerrilha e uma marca que virou sinal de qualidade. “Moonlight”, “Parasita”, “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” — todos Oscars de Melhor Filme, todos saídos dessa lógica.
No caso de “Anora”, a campanha para emplacar o longa-metragem na maior premiação do cinema mundial custou três vezes o orçamento total do filme. E ainda assim valeu.
Agora, se esse modelo funciona melhor quando é pequeno, o que acontece quando ele tenta escalar dentro de um dos maiores estúdios de Hollywood?
E o mais curioso: a própria Neon já deu o próximo passo.
Falo mais sobre a Warner Bros. Clockwork e todo o movimento por trás na coluna Na Sua Tela de hoje, no UOL. Leia clicando aqui.
