A Justiça Federal dos EUA determinou nesta segunda-feira (20) a suspensão do fechamento da compra da Warner pela Paramount por, no mínimo, 14 dias.
Quem acompanha meus posts por aqui e a coluna Na Sua Tela, no UOL, talvez não tenha se surpreendido. O maior risco nunca foi apenas a ação em si, mas o tempo.
Na decisão de hoje, a juíza Araceli Martinez-Olguin concedeu uma Temporary Restraining Order (TRO) suspendendo o fechamento da operação por duas semanas. Não significa que a aquisição foi barrada, mas impede Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery de concluírem a transação enquanto o tribunal analisa o pedido dos estados.
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A determinação veio em resposta ao processo movido por 12 procuradorias-gerais estaduais, incluindo a da Califórnia, que tentam impedir a fusão.
Na decisão, a juíza afirma que os procuradores apresentaram “evidências convincentes” de que a empresa combinada teria participação substancial no mercado de distribuição de filmes para cinema e que permanecem “questões sérias” sobre o mérito da ação, justificando a liminar.
Martinez-Olguin não comprou, neste momento, um dos principais argumentos da Paramount. A empresa dizia que os estados tinham uma visão equivocada da economia atual de Hollywood e que o mercado era muito mais dinâmico. A decisão registra que essas alegações não foram suficientes para afastar as dúvidas levantadas pelos procuradores.
A questão aqui é mais delicada do que impedir totalmente a aquisição. Caso a Justiça decida manter a suspensão da operação após esse período, isso trará uma pressão enorme para os compradores. Se o negócio não for concluído até 30 de setembro, a Paramount, David Ellison e os demais investidores começarão a pagar cerca de US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner.
Com o prazo estourando, mesmo que a aquisição seja liberada no fim das contas, a futura Warner-Paramount nascerá carregando mais essa conta. Isso é especialmente ruim para uma companhia que terá uma dívida combinada de cerca de US$ 80 bilhões.
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Na semana passada, escrevi que o futuro conglomerado poderia nascer financeiramente sufocado. A liminar não significa que a aquisição será barrada, mas torna mais provável um processo prolongado.
Sim, a compra pode até acabar bloqueada, mas, para os compradores, existe um cenário talvez ainda pior: uma disputa longa o suficiente para tornar a operação financeiramente inviável.
Por enquanto, David Ellison está preocupado apenas com o relógio. Por enquanto.
