Saída de “chefões” revela que Globo ainda decide em pedaços

“Casamento vermelho”. “Culpa das escolhas na Copa do Mundo”. “Deu brecha para o surgimento da CazéTV”. São várias as leituras sobre os anúncios que a Globo fez nesta sexta-feira, 4.

A minha leitura é outra: sete anos depois de anunciar a “Uma Só Globo”, a empresa precisou reorganizar novamente o alto escalão para tentar fazer suas decisões seguirem, enfim, um caminho realmente unificado.

 Leia também‘Slopificação’ vira tentação e risco para Hollywood

Manuel Belmar, Manuel Falcão e Pedro Garcia estão de saída. Quem acompanha esse mercado provavelmente já viu os detalhes. Para quem não viu, a versão curta é esta: diferentes relatos associaram as mudanças — principalmente a saída de Belmar — à Copa do Mundo, já que a emissora comprou apenas 52 das 104 partidas, enquanto a LiveMode adquiriu o pacote completo para exibição pela CazéTV. A Globo nega essa relação.

Na realidade, o caso exemplifica os problemas, mas não necessariamente porque “cabeças rolaram”.

Comprar metade das partidas parecia uma decisão financeiramente disciplinada e correta, daquelas que fazem sentido para qualquer CFO. Só que a conta não termina no quanto foi economizado com os direitos ou no faturamento dos jogos exibidos: também inclui o espaço aberto para uma concorrente, os patrocinadores atraídos pela CazéTV e milhões de brasileiros procurando grandes eventos no YouTube, fora das plataformas da Globo.

Quem fica com esse prejuízo dentro da empresa? A TV aberta? O Sportv? O Globoplay? O Financeiro? Quem negociou os direitos?

A reorganização anunciada agora coloca Distribuição e Direitos dentro de uma mesma diretoria. Também amplia o papel de Júlia Rueff, aproxima a TV Globo dos Estúdios Globo e mexe em algumas das divisões estabelecidas pela própria Uma Só Globo.

Tudo isso ocorre enquanto a Netflix avança sobre publicidade e transmissões ao vivo, a Amazon transforma o Prime Video em uma vitrine para assinaturas de terceiros e o YouTube combina criadores, conteúdo grátis e eventos esportivos. As fronteiras entre TV, streaming e plataformas ficam cada vez mais difíceis de encontrar.

Nessas horas, a gente também começa a relembrar falas que agora ganham um novo sentido. Há quase um ano, houve uma coletiva para comemorar os dez anos do Globoplay, na qual Belmar afirmou que a plataforma começava a operar no azul. No evento, ele já deixava clara a importância do streaming dentro do grupo, só que a estrutura não representava isso.

Tem tudo isso — e muito mais — na minha coluna no UOL, a Na Sua Tela. Leia clicando aqui.

Entre no meu canal no WhatsApp para receber reportagens, bastidores e leituras sobre entretenimento, streaming, mídia, TV e comunicação.