A Microsoft anunciou hoje, durante a Gamescom, o seu caminho para um futuro sem mídia física no Xbox – e, pelo jeito, vai ser menos polêmico que o da Sony com o PlayStation (ainda que mais trabalhoso).
Depois de um bom tempo de rumores e patentes rodando pela internet, a Microsoft anunciou o programa Disc-to-Digital, que permite transformar discos compatíveis de Xbox One e Xbox Series X em uma licença digital vinculada à biblioteca do jogador. A empresa fala em “milhares” de títulos compatíveis.
O teste começa com Xbox Insiders em 31 de agosto, e a companhia enquadra explicitamente o recurso como parte de sua estratégia de preservação e de fazer a biblioteca acompanhar o usuário entre dispositivos.
O grande diferencial é que a Microsoft afirma que disco e conta poderão ser desvinculados. Ou seja, mantém o direito do proprietário de emprestar ou vender seu game. Por isso, essa estratégia é mais trabalhosa: transforma a empresa, tecnicamente, em uma espécie de registro do estado daquela mídia física.
Xbox Disc-to-Digital e o futuro dos consoles
Na prática, é uma solução explícita para carregar bibliotecas físicas para um futuro no qual consoles podem não necessariamente ter leitor óptico.
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A abordagem é diferente da Sony, que simplesmente anunciou que vai parar de fabricar jogos em disco a partir de 2028. Por outro lado, não garante que a Microsoft continuará produzindo mídia física, nem que o próximo Xbox terá um leitor, mesmo como opcional.
É uma solução que respeita o passado e mantém um dos atrativos do console, que é a retrocompatibilidade. Mas não diz nada sobre o futuro da mídia física. Sabemos, apenas, que o próximo console continuará rodando títulos de Xbox One e Xbox Series X — mesmo que, no caso dos jogos comprados em Blu-ray, talvez não seja mais fisicamente possível inserir o disco no aparelho.
Agora, é curioso como o pêndulo muda. Na apresentação do Xbox One, em 2013, a Microsoft propôs um modelo no qual os jogos em disco seriam instalados e vinculados à conta do usuário. O console também precisaria se conectar à internet periodicamente — pelo menos a cada 24 horas.
O ponto que gerou enorme reação foi justamente o que aconteceria com o disco depois da instalação. A Microsoft pretendia permitir revenda e transferência, mas publishers poderiam decidir se seus jogos poderiam ser revendidos em lojas participantes, e o empréstimo direto para outra pessoa teria restrições.
A Sony aproveitou para fazer chacota da concorrente, argumentando que no PS4 não haveria nada disso.
Passados 13 anos, a Microsoft traz de volta um conceito parecido e recebe elogios. Já a Sony vê seu vídeo de 2013 ressurgir… para criticá-la.
O próximo Xbox, que está sendo chamado internamente de Project Helix, ainda não tem data de lançamento nem mais detalhes sobre o hardware.
