A corrida pela IA pode acabar impactando a maior indústria do entretenimento do planeta. E não, eu não estou falando de games criados por inteligência artificial, mas sim de GTA VI.
No ano passado, ecoando consultorias como Gartner e IDC, alertei sobre um efeito da explosão dos investimentos em inteligência artificial: data centers passaram a disputar memória, armazenamento e capacidade fabril com praticamente toda a indústria de eletrônicos de consumo. Isso afeta eu e você.
As projeções para 2026 são expressivas. Há estimativas de alta entre 58% e 63% para DRAM (memória), entre 70% e 75% para NAND Flash (armazenamento), e de aumentos acumulados superiores a 100%. O resultado é prático. Na última semana, por exemplo, a Apple realizou um reajuste em todos os seus Macs e iPads.
Já montar ou comprar um PC gamer ficou mais caro, mesmo quando o ganho de performance não acompanha o aumento de preço.
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Os consoles também começaram a sentir esse efeito. Em 2025 e neste ano, Microsoft, Sony e Nintendo anunciaram reajustes para Xbox, PlayStation 5 e Switch 2, algo que desafia uma das regras históricas da indústria: a de que videogames tendem a ficar mais baratos conforme a geração amadurece.
É nesse cenário que chega GTA VI, em novembro.
São 13 anos de espera, algo na casa dos bilhões dólares investidos e um nível de expectativa que talvez nenhum outro produto cultural tenha alcançado nesta década. É que GTA V faturou US$ 1 bilhão em apenas três dias, vendeu mais de 215 milhões de cópias e se transformou em um fenômeno.
Mas há uma diferença importante entre 2013 e 2026.

A base instalada combinada de PlayStation 5 e Xbox Series X|S continua menor do que a soma de PS3 e Xbox 360 quando GTA V foi lançado. O título mais aguardado da história dos videogames chega, portanto, a um mercado cerca de 13% menor do que o de seu antecessor.
Para compensar, a Rockstar parece disposta a testar um novo patamar de preços para jogos AAA, chegando a US$ 100. E, convenhamos, milhões de pessoas vão pagar esse valor.
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Só que GTA tem um posto especial. Normalmente, consoles vendem jogos. GTA VI tem potencial para vender consoles. E, quando chegar ao PC, também deverá impulsionar a venda de computadores gamers, justamente em um momento em que montar uma máquina capaz de rodá-lo está ficando progressivamente mais caro.
Um combo do PS5 Pro com o novo game, neste momento, estaria já na casa dos mil dólares.
GTA VI pode responder uma pergunta maior do quanto será capaz de faturar: existe um limite econômico para o crescimento do entretenimento interativo quando hardware e software ficam mais caros ao mesmo tempo?
Seja como for, analistas projetam que GTA VI possa movimentar mais de US$ 1 bilhão em reservas e vendas iniciais, repetindo — ou até superando — o feito histórico do título anterior da franquia. Mas aí fica aquela dúvida: mesmo se isso se concretizar, qual teria sido o teto sem a atual inflação?
A IA já vinha sendo tratada como uma fonte de preocupação para Hollywood, mas é possível que seus efeitos mais profundos acabem aparecendo em outro lugar: limitando os ganhos da maior indústria do entretenimento do mundo.
Imagina então quando chegarmos à próxima geração de consoles, que deverá ter a inteligência artificial como uma de suas bases.
