A Fox anunciou nesta segunda-feira, 15, que pretende comprar a Roku por US$ 22 bilhões. Para além do alto valor, o negócio levanta uma pergunta: por quê? Spoiler: pelo futuro da TV conectada.
A companhia fundada por Rupert Murdoch concordou em pagar US$ 160 por ação, cerca de 20% acima do preço de fechamento da quinta-feira anterior. Na sexta, os rumores sobre a venda fizeram os papéis da Roku dispararem. Ao fim da operação, os acionistas da Fox controlarão 73% da nova companhia, enquanto os da Roku ficarão com os 27% restantes.
A estratégia da família Murdoch chama a atenção.
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Em 2017, eles venderam suas operações de entretenimento — incluindo o estúdio de cinema hoje conhecido como 20th Century Studios — para a Disney por US$ 71,3 bilhões. O negócio incluiu franquias como X-Men, Os Simpsons e um enorme catálogo de filmes e séries.
Isso aconteceu justamente quando Hollywood iniciava uma corrida pela consolidação de propriedades intelectuais e pela construção de catálogos capazes de sustentar serviços de streaming. Contudo, a nova Fox Corp foi para o oposto: pulou do trem antes que os custos da corrida pelo streaming subissem de forma astronômica e concentrou seus investimentos em ativos como a Fox News — que, como sabemos, teve peso na política dos EUA desde então — e no canal aberto Fox, dono de direitos esportivos como NFL, MLB e até a Copa do Mundo da FIFA.
A partir disso, a companhia traçou seu próprio caminho. Em 2020, comprou o Tubi por US$ 440 milhões. Em vez de fazer grandes dívidas para ter conteúdo, apostou em uma plataforma gratuita baseada em licenciamento e publicidade. Também adquiriu bibliotecas de filmes feitos para TV, mirando um consumo fragmentado e casual em uma era na qual o celular se consolidou como primeira tela.
O Tubi deu certo. A plataforma superou aquela que parecia ser a principal candidata a dominar o segmento: a Pluto TV, da Paramount.
Chegamos a 2026. Quem disputa o posto de segunda maior plataforma FAST dos EUA? O Roku Channel.
O porteiro da TV conectada
Recentemente, a Roku informou ter alcançado 100 milhões de lares globalmente. Mais importante do que isso, tornou-se uma das principais portas de entrada do streaming e da televisão conectada.
Por isso, a Fox e da Roku criaria a “terceira maior empresa de televisão dos EUA em participação de audiência”, afirmaram em um comunicado à imprensa. Juntas, elas devem controlar mais de 5% do mercado.
A frase revela mais um detalhe importante da estratégia dos Murdoch. Ela não fala em streaming, FAST ou AVOD. Fala em televisão.

É aqui que a Roku se destaca. Porque ela não é simplesmente uma plataforma, mas a interface pela qual milhões de pessoas acessam a TV todos os dias. Antes de chegar à Netflix, YouTube, Disney+, Tubi ou qualquer outro serviço, o usuário passa por ali.
Trata-se de uma estratégia construída ao longo de anos: subsidiar hardware, licenciar sistema operacional e conectar televisores para se tornar o gatekeeper da experiência da TV conectada.
“Hoje, damos o próximo passo: unir o portfólio de conteúdo ao vivo mais valioso em consumo de vídeo com a principal plataforma de streaming pela qual os americanos o assistem. Essa combinação transformará o escopo da nossa empresa em verticais de alto crescimento e resultará em uma mudança significativa em nosso perfil de crescimento geral”, afirmou Lachlan Murdoch, CEO da Fox, em comunicado.
Se a Sony é o fornecedor de armas do entretenimento e a Netflix é a lojista de armas, a Fox quer ser a dona do shopping e do estacionamento — lucrando inclusive com quem entra, não compra nada e ainda vê a publicidade no caminho.
