A Comcast anunciou nesta segunda, 29, que vai separar a NBCUniversal da operação de telecomunicações. Na prática, Hollywood ganha mais um ativo gigante, complexo e potencialmente comprável.
Com a movimentação, Universal Pictures, NBC, Peacock, Sky e os parques vão para uma empresa independente, enquanto banda larga, telefonia e infraestrutura passam a existir dentro de uma nova Comcast.
É mais um capítulo de um movimento que vem redesenhando a indústria do entretenimento.
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Curiosamente, a decisão lembra bastante o que a Warner Bros. Discovery tentou fazer antes de acabar sendo comprada pela Paramount: separar o negócio de entretenimento do restante da operação para torná-lo mais fácil de entender, valorar e, eventualmente, vender.
Divisão entre Comcast e NBCUniversal: qual será o próximo passo?
Aqui existem, me parece, dois caminhos possíveis.
O primeiro é justamente esse: preparar uma eventual venda da NBCUniversal. O problema é que o número de compradores plausíveis continua pequeno.
A futura Paramount-Skydance-WBD já concentrará uma quantidade enorme de estúdios, propriedade intelectual, streaming, televisão e operações globais. A Disney, por sua vez, já possui tudo isso, mais esportes e algumas das maiores franquias do planeta. Em ambos os casos, crescer ainda mais via M&A parece cada vez mais difícil de justificar — e, principalmente, de aprovar.
Tem a Netflix, que chegou a tentar comprar a Warner. Todavia, também é difícil imaginar a empresa se colocando novamente numa posição tão vulnerável depois do que aconteceu naquela disputa.
Além disso, uma nova aquisição dessa magnitude poderia ser novamente interpretada pelo mercado como um sinal de desespero justamente em um momento em que o streaming tenta recuperar parte do valor de mercado perdido.

O segundo caminho é assumir que a Comcast está dizendo exatamente o que parece estar dizendo: telecomunicações e entretenimento simplesmente não fazem mais sentido juntos.
Quando a Comcast comprou a NBCUniversal, a tese era de convergência. Produzir conteúdo e controlar sua distribuição era visto como uma vantagem estratégica decisiva. Mas, fora algumas sinergias operacionais e de infraestrutura, essa promessa nunca se concretizou plenamente.
A AT&T tentou algo parecido com a Time Warner. Não deu certo. Acabou se desfazendo do negócio – com a vantagem de que ainda existia a Discovery para absorvê-lo.
Talvez esse seja, justamente, o futuro mais provável para a NBCUniversal: não uma fusão transformacional com outro gigante, mas a entrada de um grupo menor que enxergue nos ativos uma oportunidade de crescer rapidamente, ganhar acesso a um grande estúdio ou ampliar sua presença global.
Ou investidores. Abutres ou não, eles circulam por Hollywood há algum tempo, procurando ativos subvalorizados, empresas que perderam a narrativa de crescimento e negócios que podem ser reestruturados, revendidos ou simplesmente desmontados.
Olhando para a mídia em 2026, a sensação é que ninguém sabe exatamente qual é o tamanho certo para sobreviver. E a Comcast admitiu isso.
