Nunca desista é um conselho fácil de dar — e, sendo bem honesto, um dos mais difíceis de aplicar quando você acaba de se formar e percebe que o mercado não está exatamente esperando por você.
Os editores do LinkedIn Notícias me pediram um conselho para quem em início de carreira, e isso me levou de volta ao início da minha própria trajetória.
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Eu me formei sem conseguir um estágio remunerado. Tive algumas oportunidades na faculdade, mas nenhuma que realmente me colocasse no caminho que o mercado parecia exigir.
Saí da universidade com o diploma nas mãos, mas muitas portas fechadas pela frente.
Se não fosse o apoio dos meus pais naquele momento, provavelmente essa história teria sido diferente. E isso importa dizer, porque nem todo mundo tem esse mesmo ponto de partida.
Insistir, naquele contexto, foi também uma questão de ter tempo para insistir.
As coisas começaram a andar quando eu parei de tentar entrar pela “porta ideal” e passei a olhar para as portas que estavam, de fato, abertas. Uma pequena rádio em Santos. Um primeiro emprego que não era exatamente o que eu queria, mas que me deu fôlego financeiro. E, em paralelo, o começo no Judão, escrevendo sobre o que realmente me interessava.
Nada disso foi linear. Demorou. Mudou. E continua mudando.
Hoje, olhando para um cenário em que a inteligência artificial redefine profissões e cria novas funções enquanto outras desaparecem, talvez o pior conselho que alguém possa dar seja simplesmente “não desista”, como se isso resolvesse tudo. Porque não resolve sozinho.
O que fez diferença, no meu caso, foi entender o jogo que eu estava tentando jogar — e, principalmente, aprender a fazer as perguntas certas sobre ele.
Para quem está em início de carreira, talvez esse seja o ponto mais importante: mais do que seguir um caminho pronto (ou o que está em alta), é desenvolver repertório e senso crítico para contestar esses caminhos.
Especialmente em um mercado que muda mais rápido do que qualquer diploma consegue acompanhar.
Independente de rankings, uma coisa tende a importar cada vez mais: a capacidade de questionar — e de entender o que está por trás das respostas.
