A FIFA cometeu um grande erro na identidade sonora e, dentro das vinhetas, na música da Copa do Mundo 2026 – depois de um acerto enorme no Mundial de Clubes do ano passado.
Há um ano, todo mundo estava com o “na na na na na na na” na cabeça, grudado como chiclete. Tenho quase certeza de que, ao ler o parágrafo anterior, ele ressurgiu novamente na sua mente – quem sabe, você até cantou em voz alta.
Isso não surgiu por acaso. A identidade sonora trazia um remix da canção Freed From Desire, um eurodance da cantora italiana Gala lançado em 1996.
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Acontece que essa música se tornou grito de torcida a partir de 2011, começando pelo Bohemian FC, um pequeno time centenário de Dublin, na Irlanda – com uma adaptação que o algoritmo não me permitirá compartilhar. Não demorou para que a força daqueles torcedores encantasse outros, e o “na na na na” começou a se espalhar.
O ponto de grande virada veio em 2016, quando os apoiadores do Newcastle adaptaram a letra para o artilheiro Aleksandar Mitrović. “Mitro’s on fire, your defence is terrified”, eles cantavam. Na Eurocopa daquele mesmo ano, os norte-irlandeses transformaram a canção em “Will Grigg’s on Fire” e a levaram para todo o continente.
Foi essa força das arquibancadas que inspirou a identidade sonora da Copa do Mundo de Clubes de 2025. O acerto não foi criar algo do zero, mas aproveitar um som que já despertava emoções no futebol.
Para este ano, parecia que o caminho estava traçado. Bastava escolher outra música já abraçada pelas torcidas, negociar os direitos e transformá-la na assinatura sonora da Copa do Mundo de Canadá, México e EUA. Afinal, não faltam paródias popularizadas pelas torcidas do mundo inteiro.
Uma das minhas favoritas é Gimme! Gimme! Gimme!, do ABBA, que virou canto por torcidas como a do Tottenham. Tem também as arquibancadas do Newcastle (olha eles novamente) com September, do Earth, Wind & Fire.
Tem também Seven Nation Army, do White Stripes, que ecoa nos estádios dos EUA no campeonato local, a MLS.
Mas o que os responsáveis pela identidade sonora da Copa deste ano fizeram? Criaram um áudio genérico, sem graça, que não gruda, não marca, não cria o clima necessário e será esquecido já em agosto.
Tudo isso para dizer que o som é, sim, uma parte importantíssima do entretenimento – inclusive do futebol. E também uma parte intrínseca da força de uma torcida.
Sobre esse último tópico, levanto a bola para o texto do Borbs publicado hoje no Judão – que aborda justamente o quão insossa a torcida da nossa Seleção se tornou. Leia clicando aqui.
