Durante muito tempo, assistir à Copa do Mundo no Brasil foi um ritual simples. A bola rolava, a televisão era ligada e o jogo estava na Globo ou no sportv. Desta vez, será diferente. Pela primeira vez em décadas, metade das partidas do mundial ficará fora da TV aberta e por assinatura.
Quem quiser acompanhar a maior parte dos 104 jogos da competição provavelmente precisará passar pelo canal da CazéTV no YouTube, do Google, que se tornou o único destino gratuito com acesso a todo o torneio.
(O sinal ao vivo também será disponibilizado no Amazon Prime Video e no Disney+, mas apenas para os assinantes destes streamings).
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A mudança vai muito além de uma disputa por direitos de transmissão, ou de uma vitória da LiveMode, dona da CazéTV. Ela acontece em um momento em que 80 milhões de brasileiros já assistem ao YouTube pela televisão e em que a plataforma acumula mais audiência nas telas grandes do que toda a TV por assinatura.
Em entrevista para a minha coluna, Victor Machado, líder de parcerias para TV, cinema e esportes do serviço de vídeos no Brasil, resumiu essa transformação em uma frase: “O hábito de consumir conteúdo longo na TV não mudou. O que mudou foi o destino.”
Isso ajuda a entender por que a Copa de 2026 se tornou tão importante para a plataforma. Em 2022, a CazéTV mostrou que era possível transmitir um mundial no YouTube e reunir uma grande audiência. Agora, o desafio é descobrir se uma plataforma digital pode se tornar o principal destino de um dos maiores eventos do planeta.
A Globo percebeu isso. Tanto que sua principal campanha para o torneio não gira em torno da tradição, do formato da cobertura ou do chamado Padrão Globo. A aposta está na antena e na promessa de um sinal mais rápido do que o streaming.
Contudo, a discussão não é para saber quem grita gol primeiro. Ela é sobre hábitos de consumo, distribuição e sobre quem ficará com a atenção do público quando ele ligar a TV para assistir a um jogo.
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