A guerra do streaming criou um fenômeno curioso: nunca tivemos tanta coisa para assistir, mas nunca foi tão difícil escolher. É o “paradoxo da escolha”.
Hoje isso parece óbvio. Tem IA tentando resolver descoberta, plataformas reformulando homepage, feeds infinitos de recomendação, TikTok virando mecanismo de descoberta e até o Google perdendo espaço para vídeos e creators quando alguém quer decidir o que ver.
Só que esse problema já estava aparecendo muitos anos atrás, quando o streaming ainda parecia mais simples do que realmente é.
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Uma das coisas mais interessantes ao criar o Filmelier foi perceber cedo que a disputa não seria apenas por catálogo, mas por contexto. Porque catálogo sem contexto vira excesso – e excesso cansa.
O usuário abria a Netflix, Prime Video ou qualquer outra plataforma e passava mais tempo tentando decidir do que assistindo. A lógica da TV linear tinha desaparecido, mas nada realmente eficiente tinha surgido no lugar. O algoritmo ajudava até certo ponto, só que recomendação automática normalmente entende comportamento, não necessariamente intenção. Muito menos humor.
Existe uma diferença enorme entre “o que você costuma ver” e “o que você quer ver hoje”. Mais, até: dentro de quatro paredes, você pode querer assistir a qualquer coisa – inclusive aquilo que você não confessaria nem sob tortura.
Às vezes a pessoa precisava de um suspense curto para uma terça-feira cansativa. Ou algo leve porque o dia foi uma porcaria. Às vezes, de um filme específico parecido com outro que viu há dez anos e mal lembrava o nome. Quem sabe, queria só rir com Adam Sandler – enquanto contou para todo mundo que viu Cidadão Kane.
Isso muda completamente a lógica da descoberta.
Boa parte do trabalho no Filmelier foi justamente tentar organizar esse caos antes de o mercado perceber o tamanho dele. Isso passou menos por crítica tradicional e mais por curadoria, comportamento, busca, SEO, contexto, experiência de usuário e intenção.
No fundo, a pergunta nunca foi apenas “esse filme é bom?”, mas sim “esse filme é o certo para agora?”.
É curioso olhar para o mercado hoje porque, em muitos sentidos, continuamos tentando resolver exatamente o mesmo problema. A diferença é que o volume explodiu, os feeds ficaram mais agressivos e a disputa pela atenção virou praticamente a indústria inteira.
Por isso a maior batalha do streaming nunca foi apenas conteúdo. Sempre foi descoberta.
Leia mais detalhes sobre a criação do Filmelier – e a sua abordagem para o paradoxo da escolha no streaming – no meu portfólio.
