Apple conquista o Emmy com a fórmula que vende iPhones

A Apple é a nova HBO? Na verdade, a pergunta é outra: o que a fórmula que vende iPhones tem a ver com a vitória da Apple no Emmy? Spoiler: bastante.

Quem acompanhou a premiação nesta semana viu a Apple TV terminar na liderança entre canais e plataformas, com 28 estatuetas. Metade delas veio de “O Segredo de Widow’s Bay”, que bateu o recorde para uma comédia em uma única temporada. Isso numa plataforma que contaria com significativamente menos assinantes do que Netflix, Amazon Prime Video e Disney+ – a empresa não divulga números oficiais.

Você já assistiu a essa série? Há uma grande chance de que a resposta seja “não”.

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Um dos “superpoderes” mais famosos de Steve Jobs ajuda a entender o que está acontecendo: o chamado “campo de distorção da realidade”. Era a capacidade de fazer colaboradores acreditarem que poderiam realizar o impossível e, mais adiante, de fazer o público acreditar que precisava do mais novo dispositivo da companhia.

Jobs se foi, mas esse poder hoje opera em nível corporativo. Basta observar como a chegada do iPhone Duo virou um grande acontecimento, mesmo com telas dobráveis presentes há anos em aparelhos de Samsung, Xiaomi e Motorola.

No entretenimento, essa capacidade de capturar atenções se encontra com uma aposta em grandes nomes de Hollywood e produções de prestígio, algo que a HBO executou por décadas. Mas a comparação com o tradicional canal pago tem seus limites: a série que acaba de acumular 14 Emmys só entrou no top 10 semanal de originais de streaming da Nielsen na semana de conclusão da temporada, em oitavo lugar.

É que “Widow’s Bay”, nem mesmo “Ted Lasso” ou “Ruptura”, são “Game of Thrones”: na realidade, fazem parte de um projeto que vai muito além da TV ou do streaming. Um que reutiliza o marketing pelo próprio marketing, ajudando a mover uma estrutura trilionária que a HBO nunca sonhou ter.

Leia a análise completa na minha coluna no UOL, a Na Sua Tela. Clique aqui para ler.