E se o próximo passo da inteligência artificial no entretenimento for transformar nossas franquias favoritas em uma espécie de salsicha industrializada?
Parece exagero, mas a Disney chegou perto de testar algo nessa direção. Em dezembro, anunciou um acordo com a OpenAI para permitir que usuários do Sora criassem vídeos usando mais de 200 personagens de Disney, Marvel, Pixar e Star Wars. Uma seleção desses curtas “inspirados por fãs” poderia até aparecer no Disney+.
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O projeto não foi para frente, mas a ideia por trás dele continua sendo possível — e preocupante. A IA está reduzindo determinados custos e etapas de produção justamente em um momento em que os grandes conglomerados precisam encontrar novas formas de ganhar dinheiro com as propriedades intelectuais que já possuem. E poucas coisas são mais tentadoras do que uma máquina capaz de produzir novas variações de conteúdos com personagens que o público já conhece em uma escala até então impossível.
É aí que entra o AI slop, expressão usada para aquele conteúdo de IA barato, genérico e repetitivo que já inunda as redes em busca de atenção, cliques e receita. Se esse modelo avançar ainda mais sobre a indústria tradicional, podemos estar diante de uma nova etapa: a “slopificação do entretenimento”.
Só que a discussão que proponho vai além de saber se Hollywood vai ou não adotar inteligência artificial. A tecnologia pode tornar ainda mais fácil multiplicar aquilo que já conhecemos — enquanto a qualidade pode ficar em segundo plano e a atenção das pessoas se saturar ainda mais.
O que sobra quando se tira o humano da equação e as mesmas ideias são reprocessadas inúmeras vezes?
Escrevi sobre essa “slopificação do entretenimento” na minha coluna no UOL, a Na Sua Tela. Leia clicando aqui.
