A Fifa quer vender pedaços da Copa do Mundo. Não o troféu, claro, mas o direito de lucrar com ele.
Depois que The Athletic, do jornal The New York Times, revelou os planos de Gianni Infantino de criar uma subsidiária com fins lucrativos para tocar o lado comercial do futebol mundial, a Uefa não perdeu tempo em reagir: está ameaçando boicotar a própria Copa por causa do projeto. A tensão foi suficiente para levar a entidade europeia a convocar uma reunião emergencial nesta quinta-feira.
Porém, reduzir isso a uma “venda da alma do futebol” simplifica demais essa história.
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A ideia de Infantino é criar a Fifa Forward Enterprise (FFE) e vender 21% da empresa para investidores. A operação avalia o negócio em US$ 20 bilhões. O J.P. Morgan já foi contratado para estruturá-la e, entre os potenciais investidores, estão o Apollo Sports Capital (braço esportivo da Apollo Global Management, que tentou comprar a Paramount Studios) e a Thrive Eternal, criada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump.
O principal argumento contra a iniciativa é que os investidores, por mais que sejam minoritários, podem querer interferir no esporte – nem que seja com a justificativa de “proteger o seu investimento”. Um exemplo prático sobre como isso poderia ocorrer foram as paradas para hidratação no último mundial, que efetivamente mudaram o que aconteceu em campo.
Tem mais. Se você não ligou o nome ao banco, o J.P. Morgan foi o principal financiador da Superliga, o projeto que os maiores clubes europeus tentaram criar em 2021 para rivalizar com a Champions League. Ou seja, quem hoje estrutura a operação da Fifa é a mesma instituição que financiou a tentativa mais recente de reorganizar o futebol europeu por fora das entidades tradicionais. Em outras palavras, essa disputa por poder não começou agora — e o maior ativo em jogo não são os dólares, mas os dias no calendário do futebol mundial.
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Esse é um dos pontos que abordo na minha coluna no UOL, a Na Sua Tela, que explica em detalhes todo o movimento – e quais são os interesses em jogo.
Sim, meu tema é o entretenimento, mas é aí que está: a Fifa está buscando um formato que lembra o das ligas esportivas dos Estados Unidos e, na minha visão, transformar a Copa do Mundo em uma propriedade intelectual de peso. Algo como a sua própria Marvel.
Mas será que o futebol precisa disso?
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