A mídia física perdeu o seu maior defensor

Um duro golpe para o futuro da mídia física nos games: a Sony anunciou nesta semana que, a partir de janeiro de 2028, deixará de lançar novos jogos em disco para o PlayStation, migrando definitivamente para a distribuição digital.

A companhia japonesa afirma que 80% dos games vendidos em 2025 já foram adquiridos em formato digital. É a consolidação de uma transformação que levou mais de uma década: em 2013, de acordo com a Ampere, o digital representava apenas 13% do mercado.

De um lado, estão os efeitos da pandemia, as promoções agressivas da PS Store, a redução dos custos de produção e logística e uma sociedade cada vez menos apegada à ideia de posse. Do outro, cresce o número de jogadores que valorizam a mídia física, se preocupam com a preservação dos jogos e defendem a importância do mercado de usados. Afinal, se a Sony desligar seus servidores um dia, o que acontecerá com a biblioteca desses consumidores?

E olha que poucas empresas fizeram tanto para popularizar a mídia física quanto a própria Sony.

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O primeiro PlayStation chegou em 1994 tendo o CD como um de seus principais argumentos de venda. Depois, o PS2 ajudou a popularizar o DVD: para muita gente, foi o primeiro aparelho usado para assistir a filmes no formato.

Mas nada supera a importância do PlayStation 3. Na disputa entre Blu-ray e HD DVD, a Sony apostou no disco azul e o incorporou ao seu novo console. A decisão teve peso decisivo: o BD ganhou rapidamente uma enorme base instalada, impulsionada por um hardware vendido a preços subsidiados.

O PS3 foi fundamental para o Blu-ray vencer a guerra de formatos contra o HD DVD
O PS3 foi fundamental para o Blu-ray vencer a guerra de formatos contra o HD DVD

Isso se explica pelo fato de a companhia sempre ter feito grandes investimentos no mercado de mídia física. Ainda em 1983, fundou a Sony DADC (Digital Audio Disc Corporation), que até hoje fabrica discos para a empresa e para uma parcela significativa do mercado.

No entanto, os sinais de que esse ciclo se aproximava do fim já vinham aparecendo há anos. Das 30 fábricas que mantinha ao redor do mundo, a subsidiária fechou 16 entre 2011 e 2022, incluindo a unidade de Manaus. No ano passado, também encerrou a fabricação de DVDs e Blu-rays graváveis.

Por esse motivo, o anúncio desta semana parecia uma questão de tempo, principalmente após a Rockstar confirmar que o futuro GTA VI também não terá versão em disco.

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Qual é o futuro da mídia física nos games?

De tudo isso, é possível tirar algumas conclusões. A primeira é que um eventual PlayStation 6 deverá chegar ao mercado sem leitor de mídia, abrindo espaço para a redução de custos em uma indústria pressionada pela inflação de componentes. Com sorte, o drive poderá sobreviver como acessório opcional.

A segunda é que a indústria dos games passa por uma mudança maior: a venda direta caminha para se tornar o único modelo de distribuição — onde gamers apenas compram licenças e direitos de uso. 

Paralelamente, amplia-se a aposta no gaming as a service: em vez de vender um jogo uma única vez, as empresas buscam manter seus consumidores dentro de um ecossistema fechado, baseado em assinaturas mensais, microtransações e receitas recorrentes.

Enquanto isso, o retrogaming segue crescendo.

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Crédito da imagem de abertura: Game File.