O audiovisual dos EUA tem, neste momento, um problema a menos para 2026. O WGA e os grandes produtores fecharam um acordo coletivo preliminar, praticamente acabando com o risco de greve dos roteiristas de Hollywood. E o melhor: foi mais rápido do que muita gente esperava.
Aconteceu, ainda por cima, no Sábado de Aleluia. Um timing que parece piada interna que só um bom roteirista poderia dar.
Historicamente, o Writers Guild of America costuma ser o mais duro dos sindicatos do audiovisual dos Estados Unidos. Foram eles, por exemplo, que pararam as produções em 1988 e 2007/2008, em greves que marcaram bastante Hollywood.
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Ainda faltam os detalhes do acordo, que precisa ser ratificado pelos trabalhadores. Mas dá para ler o movimento. WGA e Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), que representa os estúdios, parecem ter encontrado um mínimo denominador comum em três pontos que vinham travando tudo: salários, residuais e o uso de IA generativa — especialmente controle sobre o trabalho dos roteiristas e proteção dos postos diante dessa pressão.
Segundo veículos como Deadline, há também uma “contribuição multibilionária” da AMPTP para sustentar o (cada vez mais dispendioso) plano de saúde do sindicato, além de um acordo mais longo — de três para quatro anos.
Acontece que ainda sobram dois elefantes na sala.
Um é a greve entre os próprios funcionários do WGA West, que já dura 48 dias. Com o acordo fechado, o sindicato ganha tempo — e pressão — para olhar para dentro.
O outro é que ainda existem duas possibilidades de greve em Hollywood. Isso porque atores e diretores seguem sem acordo com os estúdios.
O DGA costuma ser o mais simples de resolver. Contudo, as conversas deste ano ainda não começaram — e o presidente do sindicato dos diretores, Christopher Nolan, já afirmou que não tem interesse em fechar um acordo coletivo mais longo em troca de ajuda no plano de saúde. As negociações começam em maio.
Com o SAG-AFTRA, a situação parece mais delicada. Em 2023, os atores entraram em greve junto com os roteiristas, em uma rara paralisação em duas frentes. Desta vez, as conversas entre o presidente da associação, Sean Astin, e seus colegas não chegaram a um consenso — e tiveram que ser interrompidas para que a AMPTP entrasse em negociação com o WGA.
Estúdios e roteiristas voltam à sala de reuniões em junho — talvez antes.
Ambos os acordos coletivos acabam em 30 de junho. Até lá, Hollywood segue prendendo a respiração.
