O jogo virou na venda da Warner? Ainda não. Mas a terça-feira gorda de carnaval foi suficiente para deixar a disputa mais complexa — e potencialmente mais cara.
A Warner Bros. Discovery marcou para 20 de março a votação dos acionistas sobre a oferta de US$ 82,7 bilhões da Netflix por estúdios e HBO Max. Ao mesmo tempo, abriu uma janela de sete dias para retomar conversas com a Paramount Skydance. O prazo vai até 23 de fevereiro.
O movimento parece contraditório apenas à primeira vista, mas na prática revela que o processo entrou em uma fase mais sensível.
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Se o acordo com a Netflix está assinado e recomendado pelo conselho, por que reabrir diálogo com a rival? É que o debate não é só sobre preço.
A Paramount sinaliza que pode elevar sua proposta de compra total de US$ 30 para US$ 31 por ação — e que esse não seria o valor final. Já a Netflix mantém o direito de igualar qualquer oferta superior enquanto tenta deslocar o debate.
Um lado sugere que uma combinação Netflix–Warner enfrentaria maior dificuldade antitruste. O outro responde que seu mercado relevante é mais amplo e que o caminho regulatório seria mais previsível do que a fusão entre dois estúdios tradicionais.
Ou seja: ambos dizem que o risco está no concorrente.
É aqui que a segunda guerra do streaming ganha um novo capítulo.
A Warner joga nos dois tabuleiros. Mantém oficialmente a recomendação do acordo assinado em dezembro, mas usa a nova janela como instrumento de pressão. Se a Paramount falhar, o caminho da Netflix se consolida. Se elevar a proposta, o valor final da companhia pode subir – seja quem for o vencedor.
Expliquei os bastidores e as implicações dessa nova fase da venda da Warner na minha coluna no UOL, a Na Sua Tela. Leia clicando aqui.
