O maior torneio de futebol da história não “matou a TV”, mesmo com metade dos jogos sendo exclusivos do streaming. A audiência da Copa do Mundo mostrou uma tendência diferente.
Junho concentrou 78 das 104 partidas do torneio — 75% da competição. Se existia um momento para medir o impacto do streaming sobre os hábitos de consumo, era esse.
E os números do Ibope mostram que o YouTube cresceu. Sua participação no consumo de vídeo saltou de 21,5% para 22,8%. Nos televisores, foi de 14,8% para 16%.
Contudo, o dado mais interessante não é esse.
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Como ficou audiência da Copa do Mundo?
A TV linear como um todo praticamente ficou estável, caindo apenas 0,2 ponto percentual. Já a televisão aberta, impulsionada por Globo e SBT, cresceu.
Ou seja, a Copa mais digital da história não produziu uma migração em massa da velha TV linear para o streaming, ela fez outra coisa.

Netflix, TikTok, Prime Video, Globoplay e televisão por assinatura perderam participação ao mesmo tempo. Não há um único derrotado, mas sim uma redistribuição da atenção dentro do ecossistema de vídeo.
Em vez de TV contra YouTube, os dados sugerem Globo e Google competindo juntos contra o restante do mercado de vídeo.
Outro detalhe é que a CazéTV também estava disponível no Prime Video e no Disney+, mas nenhuma das duas plataformas cresceu no período. O Disney+ ficou estável e o Prime Video caiu.
Parte dessa explicação pode estar justamente na natureza dessas plataformas. Para muitos assinantes do Disney+, a ESPN já é um hábito consolidado. Durante a Copa, talvez eles simplesmente tenham trocado de transmissão esportiva sem alterar o tempo total gasto dentro do aplicativo. No Prime Video, o efeito pode ter sido parecido: os jogos substituíram horas que seriam dedicadas ao próprio catálogo, enquanto parte do público simplesmente foi embora.

Como já era esperado, o principal vencedor da Copa foi o YouTube. Mas não porque convenceu milhões de pessoas a abandonar a televisão, e sim porque capturou tempo que antes estava espalhado entre várias outras plataformas digitais.
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Enquanto isso, a Netflix foi quem registrou o maior tombo no mês passado: menos 0,3 ponto percentual em todas as telas e menos 0,4 ponto percentual nos televisores. Isso explica por que eles estão indo atrás de esportes ao vivo, podcasts e outros conteúdos que trazem volume de audiência ao YouTube. Se não fizerem isso, vão ficar ainda mais para trás.
Existe, claro, uma discussão importante sobre até que ponto a metodologia do Ibope consegue refletir um consumo de vídeo cada vez mais fragmentado. Todavia, enquanto não existe uma medição melhor, esses dados contam uma história diferente daquela que dominou boa parte da conversa durante a Copa.
A maior competição esportiva do planeta mostrou que, em 2026, a disputa principal não é entre televisão e streaming, mas entre todos aqueles que brigam pelas mesmas horas de atenção do público.
