O verdadeiro vencedor do Super Bowl

Deu Samba no Super Bowl. Sim, eu sei que o Bad Bunny é do trap e do reggaeton, mas me refiro ao que estava nos pés de quem estava no gramado durante o show do intervalo.

Deu Samba. Sim, eu sei que o Bad Bunny é do trap e do reggaeton, mas me refiro ao que estava nos pés de quem estava no gramado durante o show do intervalo — uma expressão clara de Super Bowl como fenômeno cultural

Porque, no ápice de um evento pelo qual a Nike paga estimados US$ 200 milhões anuais para estar presente, a Adidas foi lá e roubou o show (do intervalo).

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A marca esportiva patrocina o músico porto-riquenho há cinco anos, e a colaboração ganha novos voos em 2026. Na semana passada, a parceria rendeu o primeiro tênis da Adidas assinado por um artista latino-americano. O timing, inclusive, foi perfeito: o anúncio veio quase ao mesmo tempo da estatueta do Grammy de Álbum do Ano.

O ápice foi no Super Bowl, com Bad Bunny fazendo a estreia do calçado. Como parte do look, o porto-riquenho trajava um uniforme todo branco, com referências à família da mãe e à sua origem — da marca Zara.

Mas foi mais do que isso: todo mundo na apresentação usava a marca das três listras, incluindo todas as bailarinas com o Samba nos pés — tênis que surgiu para jogar futebol em 1949 e, nos últimos anos, foi alçado ao posto de ícone fashion.

O tênis BadBo 1.0 "Resilience", que Bad Bunny estreou no Super Bowl XL (imagem: reprodução)
O tênis BadBo 1.0 “Resilience”, que Bad Bunny estreou no Super Bowl XL (imagem: reprodução)

Obviamente, a Adidas não roubou todos os holofotes da Nike, nem diminuiu o seu acordo milionário com a NFL. Contudo, usando os meios que tem, ocupou o espaço de maior atenção cultural do evento, o que ajuda a entender o Super Bowl como fenômeno cultural, para além da bolha do esporte.

Se bobear, a camisa 64 com o nome Ocasio está sendo mais vista globalmente do que qualquer uma de Seattle Seahawks e New England Patriots.

O show de Bad Bunny foi extremamente político, é verdade — o músico trouxe uma mensagem de união. Não renegando os Estados Unidos ao cantar em espanhol, mas valorizando a existência de uma cultura pan-americana – ainda que com tensões reais, dentro do contexto em que vivemos hoje. 

Até porque Porto Rico é um território não incorporado dos EUA.

Só que, se hoje só se fala disso, fica também revelada a força de uma marca ao se tornar parte de um movimento cultural.

Como vemos, o verdadeiro vencedor do Super Bowl – para além do âmbito esportivo – é quem transforma o intervalo em capital cultural.

Para quem ficou curioso, a Adidas já está vendendo – com destaque – o novo tênis do Bad Bunny. O preço? R$ 1.200 no Brasil, ou US$ 160 nos EUA.

Já a Zara, do look todo branco, não faz nenhuma referência ao porto-riquenho em seu site, nem traz a camisa 64 (ou alguma variante) à venda. Claro que não sabemos todos os detalhes no acordo com o músico, mas olha aí uma oportunidade perdida…