A nova era da F1 vive uma encruzilhada: como manter a relevância esportiva em 2026 enquanto equilibra entretenimento e avanço tecnológico?
Neste ano, a Fórmula 1 implementa um novo regulamento técnico para os carros. De uma só vez, promove mudanças para reduzir a pressão aerodinâmica (deixando os carros mais “ariscos”), introduz novas asas móveis (o chamado modo reta) e, principalmente, adota uma nova geração de unidades de potência híbridas, na qual a parte eletrificada passa a responder por 50% do empuxo.
Essa última parte é a mais sensível. Com esses novos motores, o piloto precisa se preocupar mais com a recuperação de energia — incluindo desacelerar em retas para ter mais potência no trecho seguinte. Para aumentar a disputa, chega o modo de ultrapassagem, com maior deploy de energia nesses momentos. As largadas também deverão ficar diferentes.
➔ Leia também: Estamos na segunda guerra do streaming
Contudo, já há fãs reclamando na internet com o prognóstico de corridas “estranhas” após os testes de pré-temporada. Há também preocupações com segurança e com a dificuldade nas ultrapassagens.
O impacto da nova era da F1
Ainda é cedo para tirar conclusões, mas esse é sim um dilema. A evolução nas unidades de potência ocorreu porque, hoje, fabricantes de automóveis estão preocupadas com a adoção de carros elétricos — pressionadas por legislações e por uma cobrança por sustentabilidade (o tão falado ESG).
As novas regras atraíram os motores de Audi, Ford (em parceria de desenvolvimento com a Red Bull) e a Honda à F1, juntando-se a Ferrari e Mercedes. A GM, com a marca Cadillac, também está planejando o seu. Para elas, significa desenvolver nas pistas uma tecnologia que, no futuro, vai impactar seus carros de rua.
A própria Ferrari lançou o seu primeiro carro 100% elétrico, o Luce. É uma disputa industrial – na qual outras categorias, como a IndyCar e a WEC (das 24 Horas de Le Mans), já entraram.
A chegada desses fabricantes também é mérito da Liberty Media, dona da categoria. Ela tem transformado a F1 em um grande entretenimento e sucesso comercial, com série na Netflix, novos espectadores e grandes marcas querendo fazer parte do show. Teve até filme indicado ao Oscar e novo acordo de transmissão nos EUA com a Apple.
Outras ações de bastidores, como o teto de gastos, também ajudaram.

Porém, de nada adianta isso tudo se o show não entregar o espetáculo esperado.
Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica sempre vai envolver riscos — e a Fórmula 1, como ápice do mundo automotor, é o lugar para assumir esses riscos. A disputa tecnológica sempre foi uma atração da categoria, com a inovação sendo parte do show.
Testes são para ajustes e para os próprios pilotos e equipes entenderem como os novos carros vão se portar. Por isso, muito pode evoluir até o primeiro GP, em 8 de março.
Ainda assim, tudo isso expõe o quanto é difícil agradar o público, patrocinadores, competidores e fabricantes ao mesmo tempo.
Nem sempre o entretenimento esportivo é fácil de ser conquistado…
