Globo mira a CazéTV, mas perde a visão da real guerra no streaming

Na Segunda Guerra do Streaming, a disputa está deixando de ser apenas por conteúdo. Cada vez mais, ela é também por quem controla a porta de entrada para o público – e três movimentos desta semana ajudam a mostrar isso.

Começando pela Ge TV. O canal esportivo gratuito, que completou um ano, passou a ficar disponível sem custo adicional dentro do Prime Video, como já acontecia com a concorrente CazéTV. Para a Globo, é uma nova porta de distribuição, alcance e briga direta. Já para a Amazon, reforça o discurso de agregador – ou de marketplace – de conteúdo, em uma disputa com Google e YouTube para ser a principal janela de streaming do usuário.

Resta saber se, ao mirar na CazéTV, a Globo não está dando poder excessivo às big techs e cedendo parte de uma relação central com os brasileiros que ocupa há décadas.

Enquanto isso, tem gringo lutando justamente por esse papel central.

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O JustWatch, conhecido como guia de disponibilidade de filmes e séries, anunciou que lançará oficialmente em outubro o JustWatch TV, um serviço próprio com opções AVOD (grátis com publicidade), TVOD (aluguel) e SVOD (assinatura sem anúncios). A mudança transforma uma empresa que intermediava a descoberta de títulos em uma participante direta da cadeia de distribuição e transação. O lançamento inicial será em mercados como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Austrália – o Brasil, por enquanto, fica de fora.

A estratégia faz sentido: o usuário já está no JustWatch para procurar o que assistir, por que então entregar esse usuário para outra plataforma se ele pode consumir o conteúdo ali mesmo? Além das receitas que a empresa já obtém com afiliação, mídia e dados, abrem-se outras frentes de monetização.

A questão é que Apple, Amazon, Google e outras big techs já competem por esse espaço. E licenciar conteúdo é bem mais complicado do que apenas dizer onde ele está – isso sem falar na infraestrutura necessária para entregar o vídeo. Por outro lado, o JustWatch parte com uma vantagem importante: os dados de intenção de mais de 50 milhões de usuários mensais, que mostram o que esse público procura para assistir. Será algo interessante de acompanhar.

A Roku também está entrando de cabeça nessa mesma briga. Nesta semana, a empresa norte-americana anunciou 30 combinações de assinaturas premium nos EUA, com descontos de até 30%, reunindo serviços como AMC+, Fox One e Starz. No México, adicionou dois pacotes, entre eles uma combinação de Filmelier+ e Adrenalina Pura+, ambos da brasileira Sofa Digital.

Se antes esses combos de streaming apareciam principalmente como uma forma de diminuir o churn, agora também viraram uma arma na disputa para ver quem controla a porta de entrada das assinaturas.

A única que destoa desse movimento enquanto mira um adversário menor? A Globo…

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