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A maior vítima da Copa no YouTube não foi a TV aberta

Há um mês, escrevi que os resultados de audiência da Copa do Mundo de 2026 não representavam uma morte da TV. Os números de julho não desmentem isso, mas mudam a história. Spoiler: a maior vítima foi a televisão por assinatura.

Os números do Ibope de junho mostraram que o YouTube não roubou exatamente a audiência da televisão tradicional, mas redistribuiu a atenção entre as plataformas online. Basicamente, o serviço do Google roubou um pouco do share de audiência desses concorrentes.

Agora temos os dados de julho, que concentrou apenas 25% da Copa – contudo, reuniu também grande parte dos jogos mais importantes, de mata-mata.

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Nesse cenário, o YouTube continuou crescendo. Junho levou a plataforma do Google de 21,5% para 22,8% em todas as telas; julho levou a 23,2%. Contudo, se no mês anterior o vídeo online tinha ficado quase estável, no período seguinte houve um crescimento de 1,3 pp para todo o segmento. Netflix (5,1% → 5,3%), TikTok (5,1% → 5,4%), Prime Video (1% → 1,1%), HBO Max (0,2% → 0,4%)… Vários dos concorrentes que tinham perdido espaço voltaram a crescer.

Há muitas hipóteses para isso. O consumo concentrado no futebol se redistribuiu com menos jogos ao vivo? Pode ser.

Quem realmente caiu foi a televisão linear, que foi de 63% para 61,7% em todas as telas.

Confira a evolução nos gráficos mensais:

Mas segurem os discursos de velório: a TV aberta não morreu. Na prática, ela perdeu o bônus que havia conquistado em junho, com metade dos jogos na Globo e uma parte menor no SBT. Em todas as telas, o modelo tradicional tinha 55,3% em maio, foi para 56,2% em junho e fechou julho com 55%. Considerando apenas os televisores, a evolução foi de 65,6% para 66,6%, chegando em 65,6% em julho.

Acontece que a grande vítima durante o Mundial 100% disponível no YouTube foi a TV paga. A evolução foi de 7,9% em maio para 6,8% em junho e 6,7% em julho. Nos televisores, foi 9,4% → 8% → 8%.

Enquanto a TV aberta devolveu o ganho de junho, a modalidade por assinatura não recuperou a perda. De maio a julho são -1,2 pp em todas as telas e -1,4 pp nos televisores.

Se for para apontar para uma única vítima, diria que foi o SporTV. Sem ter todos os jogos, nem o monopólio de um extenso pré e pós-jogo, o canal viu erodir o seu peso quando olhamos para o todo. No Substack, Gustavo Poli fez uma certeira análise dessa situação – incluindo informações de bastidores. Vale a leitura.

Como comentei anteriormente, existe uma discussão importante sobre até que ponto a metodologia do Ibope consegue refletir um consumo de vídeo cada vez mais fragmentado. Também é complicado medir crescimentos de pedaços enquanto não sabemos se o tamanho total da pizza ficou maior, menor ou igual. Todavia, esses dados contam uma história – e é, hoje, a que temos.

Os dados deixam uma coisa clara: o YouTube saiu ganhando. Agora, se a mudança de comportamento vai perdurar, isso é algo que vamos descobrir a partir dos próximos dados.

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