Paramount promete salvar Hollywood, mas agora ameaça implodir a região

Quem se apresentou como salvador de Hollywood agora está ameaçando deixar justamente esse lugar que é o ícone da cultura pop mundial.

A Paramount Skydance segue tentando fechar a aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 110 bilhões. David Ellison, o homem por trás da transação, afirma que a união é necessária para Hollywood sobreviver ao avanço das big techs sobre o entretenimento. Só que, nesta semana, informou a executivos que pretende iniciar já em outubro o processo para retirar o estúdio da Califórnia caso não consiga um acordo para encerrar a disputa judicial.

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Existe um simbolismo importante aí: a Paramount é o último grande estúdio ainda instalado dentro dos limites do bairro Hollywood, aquele que virou sinônimo de toda uma indústria.

Isso acontece porque o negócio está sub judice depois que uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, entre eles o da Califórnia, foi à Justiça para tentar barrá-lo. Ellison concordou em adiar o fechamento da compra até cinco dias após a conclusão do julgamento — ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro.

O problema é que o julgamento foi marcado apenas para março. E o tempo custa dinheiro: a partir de outubro, cada dia de atraso passa a acrescentar o equivalente a cerca de US$ 7,1 milhões ao valor devido aos acionistas da Warner caso a aquisição seja concluída. Até o fim do julgamento, essa conta pode chegar a US$ 1,2 bilhão.

Tudo isso deixa David Ellison em uma encruzilhada: como fundamentar a sua missão de salvar Hollywood se ele, em meio às adversidades, não pensa duas vezes em levantar a possibilidade de deixar a região?

Fui atrás do que essa ameaça representa para um local que já perdeu mais da metade de sua atividade de produção em relação ao período pré-pandemia, enquanto a Califórnia tenta reagir com novos incentivos fiscais. Também explico por que o calendário da Justiça coloca ainda mais pressão sobre a aquisição — e como Larry Ellison, que colocou US$ 45,72 bilhões de sua fortuna como garantia da operação do filho, pode acabar se tornando uma nova fonte de incerteza para o negócio.

O que acontece até junho de 2027 pode dizer bastante sobre o que vai restar da promessa feita há alguns meses.

Esse é o tema da minha coluna no UOL, a Na Sua Tela. Leia clicando aqui.

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