Quanto m canal do YouTube fatura? Pela primeira vez, uma empresa abre números que ajudam a responder essa pergunta.
Todo mundo está discutindo a audiência da CazéTV na plataforma, que já alcançou mais de 120 milhões de pessoas durante a Copa do Mundo. É algo enorme, mas existe uma pergunta que, até agora, não tinha visto ser respondida:
Quanto vale um negócio dentro da plataforma quando não há Copa, grandes eventos ao vivo ou um um pacote bilionário de patrocínio?
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Conversei com Marcelo Spinassé, fundador da Encripta, que opera mais de 60 canais no YouTube com filmes, séries e novelas gratuitos. A companhia abriu, com exclusividade, os números dessa operação.
Hoje, essa rede alcança 77,2 milhões de usuários únicos por mês. É como se, todo mês, estivesse acontecendo um Mundial, mas sem um chute a gol.
Apenas em maio, a operação registrou 261 milhões de visualizações, 122 milhões de horas assistidas e faturou perto de R$ 3 milhões.
Nos últimos doze meses, isso gerou um faturamento de R$ 20 milhões. A expectativa é chegar a R$ 30 milhões em 2026.
Outros dados chamam atenção: o tempo médio de consumo é de 24 minutos por sessão. Em séries e novelas, chega perto de 100 minutos. 84% da audiência já vem de TVs conectadas.
Para Victor Machado, líder de parcerias para TV, cinema e esportes do YouTube no Brasil, “o hábito de assistir conteúdo longo na televisão não mudou. O que mudou foi o destino.”

Tem ainda um pano de fundo maior: a segunda guerra do streaming. A Bloomberg afirma que sucessos da Netflix tiveram quedas entre 30% e 70% de audiência na segunda temporada, e o tempo médio gasto pelo público no serviço subiu apenas 2% no último ano — praticamente estagnado. Não é à toa que a companhia tem ido atrás de conteúdo curto e parcerias com veículos como Rolling Stone e Vogue – um formato que, lá atrás, ajudou o próprio YouTube crescer.
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Por outro lado, o Google tem ampliado sua oferta de filmes e séries por meio de parceiros — entrando justamente no território tradicional da Netflix. Para Spinassé, esse movimento começou pelo Brasil. “Acho que acendeu uma luz lá dentro. Eles perceberam que existe um negócio de verdade com filmes completos dentro do YouTube”, afirmou.
O mais curioso é como essa história começou. O executivo contou que topava constantemente com uploads piratas de filmes cujos direitos pertenciam à Encripta. Em vez de só derrubar os vídeos, ele fez a conta. “Eu comecei a ver o volume de conteúdo e a audiência que aqueles vídeos tinham, fiz a conta e pensei: ‘Tem um negócio aqui'”, revelou.
A coluna completa já está no ar na Na Sua Tela, no UOL. Nela, entro mais a fundo na economia desse mercado: explico como funciona o revenue share do YouTube, por que o CPM brasileiro ainda está distante do americano e quais são os próximos passos da Encripta, incluindo a aposta no formato vertical.
Leia clicando aqui, e entenda o modelo de negócio para além de quanto um canal do YouTube fatura.
