Por que a Netflix subiu de preço nos EUA, mas ainda não no Brasil?

A Netflix subiu de preço nos Estados Unidos. O segundo reajuste em um pouco mais de um ano. Como sempre acontece nesses momentos, fica a dúvida: quando isso chega ao Brasil e, principalmente, se vai chegar do mesmo jeito?

A resposta não é tão direta quanto parece.

Nos EUA, o serviço de streaming já opera perto de um limite de crescimento por novos assinantes. Por isso, em vez de buscar mais gente, a empresa passa a extrair mais valor de quem já está dentro — e é aí que entram os aumentos mais frequentes, a pressão sobre os planos sem anúncios e a aposta cada vez mais clara no modelo com publicidade.

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Na prática, a empresa quer testar a tolerância: até que ponto o espectador topa pagar mais caro antes de migrar para o plano com intervalos comerciais? Até porque essa modalidade pode ser mais barata para o público, mas pode gerar mais receita para o streaming.

Contudo, o Brasil ainda está em outro momento. O último reajuste no nosso país foi em 2024. 

Aqui, a base ainda pode crescer. A TV linear continua ocupando uma fatia relevante do consumo. O público é mais sensível a preço. O YouTube é um competidor forte e o fantasma da pirataria está sempre presente. E, ao mesmo tempo, o plano com anúncios já ganhou escala — o que cria um equilíbrio diferente entre preço, audiência e monetização.

Hoje, um a cada seis espectadores de publicidade dentro da plataforma em todo o mundo vem do Brasil. É uma penetração muito maior do que em outros mercados.

No fim, a discussão não é só se a assinatura da Netflix subiu de preço por aqui. É entender por que ela pode demorar mais — ou acontecer de outra forma.

Escrevi sobre isso na coluna de hoje do Na Sua Tela, no UOL. Leia clicando aqui.