O pior pesadelo de Hollywood já não é mais apenas a pirataria, streaming ilegal ou queda de bilheteria. É ver os próprios personagens — aqueles que ajudaram a construir o domínio cultural dos Estados Unidos — sendo usados como propaganda de guerra contra o seu país.
Nas últimas semanas, vídeos produzidos no Irã começaram a circular com estética de Divertida Mente e animações em estilo LEGO, colocando Donald Trump, Vladimir Putin e até o Diabo no centro de narrativas políticas. Não é paródia, nem meme, mas sim estratégia de propaganda de guerra. E, como mostrou o Wall Street Journal, isso vem de uma estrutura organizada, ligada ao próprio Estado.
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O ponto não é só a IA, mas o que ela permite: pela primeira vez, propriedades intelectuais que sempre dependeram de estúdios, contratos e controle centralizado podem ser apropriadas e redistribuídas sem autorização — inclusive por governos.
Enquanto isso, Hollywood tenta correr atrás. Processa plataformas, negocia acordos, impõe limites de uso… e, claro, tenta capturar esse novo mercado antes que ele escape de vez.
No meio disso tudo, tem uma ironia difícil de ignorar: os Estados Unidos passaram décadas usando a própria cultura pop como ferramenta de influência global. Agora, essa mesma lógica está sendo reaplicada — só que do outro lado.
Escrevi sobre isso no Judão. É sobre IA, propaganda, controle — e o momento em que a propriedade intelectual deixa de ser proteção e vira campo de batalha.
É o segundo texto da edição desta semana. Clique aqui para ler.
