Teatro-plataforma. É assim que dá para resumir o projeto da VME para o histórico Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. O investimento será de R$ 10 milhões, e o objetivo é ousado: posicionar o espaço “no mapa internacional”.
Se você não ligou o nome ao lugar, o Ruth Escobar está nas nossas aulas de história no colégio – ainda que não seja por um motivo feliz. Foi lá que o CCC atacou a montagem de Roda Viva, de Chico Buarque, agredindo o elenco e destruindo os cenários.
Mas o teatro é maior do que isso, com muita história – e muita resistência à ditadura militar no Brasil.
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Nesta quinta, 26, visitei o espaço para acompanhar o anúncio de que a VME, de Vinicius Munhoz, assumiu a gestão do Ruth Escobar. O contrato é de “longo prazo”, afirmam. O imóvel continua sendo da APETESP.
No plano apresentado, a intenção é continuar com o teatro operando, mas fazer reformas gradativamente até o fim do ano. A previsão é que cada uma das três salas seja fechada por cerca de um mês para adequação e atualização.
De acordo com Munhoz, o local não teve investimentos consistentes nos últimos 20 anos.
A primeira sala, a principal e com cerca de 400 lugares, será reaberta no fim de junho com a montagem do musical da Broadway Come From Away – Vindos de Longe, em português. A direção será de Rafael Nunes (de Hamlet com Gabriel Leone).
Esse será apenas o primeiro. O objetivo é ter ao menos um musical por ano, recuperando o peso do Teatro Ruth Escobar, inclusive como uma opção relevante no setor. Por isso, além das montagens da VME, a casa de espetáculos estará aberta a montagens de outros grupos.
O projeto é ainda mais ambicioso. Além de voltar com a floricultura e com a livraria que existiam no local, Munhoz também quer abrir um restaurante. No foyer, vão expor adereços e materiais de cena encontrados durante o processo de limpeza, incluindo os da clássica montagem de O Balcão.
Tudo para integrar o local ao bairro onde fica, o Bixiga/Bela Vista.









O executivo contou que também quer receber outros tipos de evento no local, de dança a corporativos, movimentando o teatro durante toda a semana. O objetivo aqui é claro: alcançar saúde financeira, ampliando as fontes de receita.
E ainda tem a joia da coroa: um porão, onde a própria Ruth Escobar, que morreu em 2017, realizava festas e apresentações – entre elas estaria o primeiro show de Ney Matogrosso. A ideia é, em 2027, criar um bar ali.
Essa última etapa não entra no orçamento de R$ 10 milhões. Munhoz me contou que o dinheiro já foi levantado – o valor vem de investidores, e uma parte menor é capital próprio.
Hoje, o Ruth Escobar emprega 30 pessoas.
Se nos anos 1960 e 1970 a resistência era contra uma ditadura, hoje é sobre manter a relevância da cultura – e entender como se adaptar aos novos tempos.
