Renan Martins Frade no Canal UOL

Vinte anos de jornalismo profissional — e eu ainda não aprendi a parar

Vinte anos atrás eu me formei, tirei o meu registro e entrei no jornalismo profissional. Isso mesmo: duas décadas ouvindo que “o jornalismo acabou” enquanto eu sigo aqui, firme, produzindo. 

O mais curioso é que, quando recebi o diploma, eu já estava nessa estrada há algum tempo — desde 1998, quando um moleque de 13 anos resolveu que seria uma boa ideia produzir conteúdo na internet discada, achando que o mundo precisava ler o que ele tinha a dizer. Não precisava… mas aqui estamos.

De lá pra cá, essa profissão me levou para lugares que eu jamais imaginaria. Do entretenimento que vira pauta quando ninguém está olhando às entrevistas que começam tímidas e terminam com alguma revelação que mexe com o mercado. Teve cinema, streaming, games, esporte, política cultural, noites viradas, pautas impossíveis, textos que mudaram de forma pouco antes de publicar e um sem-fim de conversas que continuam reverberando anos depois.

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Fui da redação à comunicação corporativa, às vezes tudo em todo lugar ao mesmo tempo. Voei com o Judão, quando tudo aqui era mato. Filmelier, UOL, Grande Prêmio… tantos desafios, coberturas e milhões de leitores pelo caminho.

Também teve a internet se transformando mil vezes, e eu junto. Blogs, fóruns, sites, redes, vídeos longos, curtos, colunas, podcasts, lives, carrosséis, análises, furos, opiniões certeiras — e outras que me ensinaram mais do que eu gostaria.

Renan Martins Frade ao lado do Borbs, em um dos eventos do Judão. 20 anos de jornalismo.
Ao lado do Borbs, em um dos eventos do Judão — há muito tempo atrás…

Com o tempo, fui criando um olhar mais cético. Já vi tantas vezes os padrões se repetirem que tudo começa a soar familiar: os mesmos trailers, os mesmos discursos, as mesmas frases, as mesmas ideias “geniais”. Muitos desses padrões estão de volta agora, na discussão sobre IA. E tudo bem: isso treinou meu olhar para identificar repetições e entender o que realmente está por trás delas.

Aos poucos, percebi que, no fundo, sempre falei sobre a mesma coisa: como o entretenimento molda a gente — e como a gente e a sociedade moldam o entretenimento.

Hoje, olhando para esses vinte anos oficialmente formado, continuo com a mesma sensação que tinha lá em 2002: ainda tem muita história para contar. E, sinceramente, eu não trocaria essa estrada por nenhuma outra — apesar de tantos colegas jornalistas contarem o quanto estão desgostosos com a profissão.

Que venham as próximas duas décadas de jornalismo. Eu sigo aqui, fazendo o que sempre fiz: contando histórias, tentando entender o caos e, quando possível, me divertindo no processo.