Cansei do debate “YouTube vs TV”

Confesso: estou cansado do debate “YouTube vs TV”. Uns dizem que o YouTube é a nova TV. Outros, que a televisão aberta nunca vai perder relevância.

É um debate da indústria, e esse é exatamente o problema.

O espectador não está preocupado com a tecnologia do vídeo. Ele quer duas coisas: comodidade e conteúdo. Se tiver, tanto faz se foi via cabo coaxial ou streaming.

Sem isso, não existe distribuição, monetização, direitos… Muito menos importa a compra de mídia que a sua empresa ou agência faz.

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As plataformas online ganharam espaço justamente pela comodidade que a tecnologia traz. E, se essa tecnologia evoluir, substituindo o que temos hoje por algo ainda mais cômodo, vai ganhar espaço.

Quer um exemplo prático? O VHS virou tendência porque era mais cômodo do que esperar a programação de um canal ou ir ao cinema. O DVD substituiu porque tinha mais qualidade e era mais simples: não precisava rebobinar.

A indústria quis que os discos fossem substituídos pelo Blu-ray, mas a mídia não era “melhor” o suficiente. Na prática, o que substituiu o DVD foi a Netflix.

Isso não quer dizer que o Blu-ray morreu especificamente por causa disso. Nem o vinil. Mas eles se tornaram produtos de nicho.

A chave é a inovação. No livro “A Regra é Não Ter Regras”, Reed Hastings, cofundador da Netflix, diz que, no dia em que a companhia parar de inovar, ela morre — mesmo tendo sido pioneira no streaming de vídeo.

O que quero dizer é: números representam o que foi e o que é atualmente, não o que será. Em vez de discutir quem é mais relevante hoje, se acomodando em recortes específicos da realidade, quem trabalha com conteúdo e entretenimento precisa olhar pela janela e pensar: como posso mudar a comodidade e o conteúdo de quem está lá fora?

Isso é ainda mais relevante — e preocupante — no Brasil, um país com grandes diferenças econômicas, falta de acesso e enormes desafios. Por aqui, quem ganha em comodidade, inclusive, é a pirataria — para desespero de muita gente. É por isso que a TV aberta reina, também.

Porque o futuro não é de quem coloca gráfico em pizza de market share no PowerPoint ou no LinkedIn, mas de quem resolve problemas reais, de pessoas reais. 

O resto é meio.

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