Warner rejeita nova oferta hostil da Paramount — e manda recado

A Warner Bros. Discovery não aceitou (novamente) a oferta hostil de compra de US$ 108 bilhões apresentada pela Paramount Skydance. Mas a recusa vai além de um simples “não”: o movimento também parece desenhado para proteger a empresa — e também manter a negociação viva.

Após uma reunião ontem, 6, o board da WBD recomendou que os acionistas do conglomerado não aceitem a mais recente oferta, classificando-a como “inferior” àquela com a qual a Netflix se comprometeu — US$ 82,7 bilhões por parte do grupo, incluindo estúdios, HBO Max e propriedades intelectuais — citando custos mais altos, além de riscos e incertezas.

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“Acreditamos unanimemente que a fusão com a Netflix é do seu melhor interesse”, informou o conselho em comunicado arquivado na Comissão de Valores Mobiliários dos EUA.

Para quem não acompanhou os movimentos dos últimos dias: sem aumentar o valor total da proposta, Larry Ellison — fundador da Oracle e pai de David Ellison, controlador da Paramount Skydance — ofereceu US$ 40,4 bilhões de sua própria fortuna como “garantias pessoais” para a aquisição, numa tentativa de dar mais credibilidade ao negócio.

Caixa d'água icônica da Warner Bros: grupo negou nova oferta hostil da Paramount
Caixa d’água icônica da Warner Bros., em Burbank (Imagem: divulgação / Warner Bros.)

Ainda assim, não foi o suficiente para convencer o board da Warner Bros. Discovery. Pesaram, sobretudo, os riscos envolvidos — incluindo o tamanho da multa que a Paramount teria de pagar caso o negócio não seja aprovado pelos reguladores.

“A PSKY falhou repetidamente em apresentar a melhor proposta para os acionistas da WBD, apesar das instruções claras da WBD sobre as deficiências e as possíveis soluções”, afirma a Warner no documento, em um tom de impaciência.

“O Conselho da WBD, a equipe de gestão e nossos consultores interagiram extensivamente com os representantes da PSKY e forneceram orientações explícitas sobre como aprimorar cada uma de suas ofertas. Ainda assim, a PSKY continuou a apresentar propostas que mantêm muitas das deficiências já identificadas repetidamente”, continua o texto.

Na prática, a Warner parece jogar em duas frentes. De um lado, constrói um dossiê robusto para se proteger de um eventual processo judicial dos Ellisons, que poderiam alegar algum vício no processo de venda. Do outro, deixa a porta entreaberta: se a Paramount Skydance melhorar — e muito — sua oferta hostil, o jogo ainda não está totalmente encerrado.

Resta saber se pai e filho ainda têm bala na agulha para isso.