Domingo agora tem Super Bowl, a grande final do futebol americano – e vale prestar atenção não só no jogo, mas no que ele representa e no que acontece para além das quatro linhas.
Há alguns anos, a NFL deixou de tratar a partida apenas como a decisão de um campeonato e passou a operá-la como o maior produto de entretenimento ao vivo do planeta. O resultado é conhecido: impacto econômico bilionário na cidade-sede, comerciais que custam US$ 10 milhões por 30 segundos, audiência que ultrapassa 127 milhões de pessoas só nos EUA e um show de intervalo que, para muita gente, é o verdadeiro evento da noite.
Isso é estratégia de longo prazo. A NFL construiu primeiro um domínio absoluto do mercado doméstico, planejou suas franquias por décadas e, só depois, saiu para o mundo. Europa, México, Alemanha, e agora Brasil. Jogos fora de casa, marketing local, parcerias de mídia. O Super Bowl é o ápice disso: a vitrine global que transforma um esporte essencialmente americano em um espetáculo pop reconhecível em qualquer lugar.
➔ Leia também: “Caramelo” é soft power brasileiro para exportação
O paradoxo é que, fora dos EUA, o futebol americano ainda tem apelo esportivo limitado. No Brasil, por exemplo, o Super Bowl gera conversa, engajamento nas redes e curiosidade, mas a audiência de TV segue pequena quando comparada a outros esportes. É um produto gigantesco em receita, mas ainda nichado em prática esportiva. O que sustenta o crescimento não é só o jogo, e sim tudo o que foi construído ao redor dele.
As pausas que muitos criticam são parte do modelo. Funcionam perfeitamente para a TV, para a publicidade e para um público que assiste com o celular na mão, comentando, levantando do sofá, voltando. O Super Bowl não disputa apenas atenção esportiva, mas sim cultural.
É por isso que a NFL aposta que o público chega pelo show — e fica pelo jogo. Às vezes funciona, às vezes não. Mas como produto de entretenimento, poucos eventos no mundo são tão bem-sucedidos em transformar esporte em negócio, espetáculo e conversa global ao mesmo tempo.
Ah, e temos uma grande novidade no Brasil em 2026: a entrada da Globo. Pela primeira vez, o principal grupo de mídia do país passa a deter os direitos de transmissão da liga, incluindo o Super Bowl. A final será exibida no Sportv, no Globoplay e no YouTube ao vivo, via Ge.tv – além de ganhar janela na TV aberta, com os melhores momentos e o show do Bad Bunny na TV Globo, após o BBB (com direito a patrocínio da Apple).
Um tiro de canhão na mídia BR.
Quem quiser se aprofundar mais nos dados, comparações e nesse dilema entre show e esporte, aqui está a coluna que escrevi sobre isso há um ano, no UOL.
