Quanto mais “Super Mario Galaxy: O Filme” funciona, mais ele expõe o que Hollywood deixou de fazer.
US$ 430 milhões faturados em uma semana, projeção de bilhão de bilheteria e um modelo que a gente já conhece, baseado na nostalgia.
Para quem está no cinema, funciona. E funciona muito bem. Ritmo acelerado, referências reconhecíveis, uma sucessão de momentos pensados para manter a atenção presa do começo ao fim — algo que conversa diretamente com uma geração acostumada a estímulos constantes e recompensas imediatas. O roteiro é apenas uma desculpa para uma colagem de games. Não é difícil entender por que o público responde.
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Do ponto de vista da indústria, a lógica é clara. Apostar em personagens já conhecidos reduz risco, facilita o marketing e aumenta a previsibilidade de resultado em um cenário em que a atenção virou o ativo mais disputado do entretenimento. Não por acaso, o topo das bilheterias segue cada vez mais ocupado por continuações, remakes e reboots.
O problema é o que fica de fora dessa conta.
Enquanto o cinema se organiza cada vez mais em torno desse modelo, o espaço para testar novas ideias, construir novos personagens e desenvolver propriedades originais vai diminuindo.
Isso não é uma discussão criativa, mas sim uma questão estrutural. Cada uma dessas franquias que hoje sustentam a indústria começou, em algum momento, como uma aposta arriscada. Se esse tipo de aposta deixa de existir, o sistema começa a consumir o próprio estoque.
Afinal, qual vai ser a nostalgia daqui a uma, duas ou três décadas?
Ao mesmo tempo, há um argumento forte do outro lado. Em um contexto em que o público foi se afastando das salas e se acostumando ao conforto do streaming, filmes como “Super Mario Galaxy” funcionam como evento, como ponto de reencontro, como forma de reativar um hábito que vem se perdendo. Nesse sentido, o sucesso não é só justificável: ele é necessário.
É nessa tensão que a coisa fica curiosa.
Na coluna desta semana de Na Sua Tela, eu entro nesse equilíbrio entre estratégia e dependência, o papel da nostalgia como ferramenta de negócio e o que está em jogo quando a indústria passa a depender tanto do próprio passado para continuar funcionando.
O texto completo, que usa “Super Mario Galaxy: O Filme” como ponto de partida, está no UOL. Clique aqui para ler.
