Bombas caem em várias partes do mundo. Crianças morrem em escolas destruídas. O preço do petróleo dispara. A política internacional parece cada vez mais instável. Enquanto isso… Hollywood distribui estatuetas douradas no Oscar 2026.
À primeira vista, parece que a indústria do cinema, com todo o seu glamour, é uma ilha. Mas não é bem assim.
Olhando para os indicados ao Oscar deste ano, uma coisa chama atenção: esta pode ser uma das edições mais sombrias da história da premiação.
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Dos dez na categoria de Melhor Filme, a maioria gira em torno de temas como trauma, paranoia, violência, perda ou colapso social. Até o tradicional drama esportivo da lista tem um protagonista quebrado, difícil de admirar.
E o provável favorito, Pecadores, bateu o recorde histórico de indicações sendo um longa-metragem de terror que também aborda racismo, violência e culpa — algo que até pouco tempo atrás seria impensável para a Academia.
Isso não aconteceu por acaso.
O Oscar sempre respondeu ao espírito do tempo. Nos anos 1970, em meio ao Vietnã e ao Watergate, a lista de indicados era cheia de histórias sobre instituições falhando, paranoia política e sonhos americanos desmoronando. Agora, olhando para 2026, parece que voltamos a algo parecido.
Nesta segunda edição do retorno do Judão, eu explico por que o cinema de prestígio parece mais soturno do que nunca — e o que isso diz sobre o momento em que estamos vivendo.
Afinal, é o Oscar 2026 é uma festa sombria para tempos sombrios.
