O que a imprensa internacional está falando das quatro indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar?

Cinema e cultura também são sobre soft power — principalmente quando falamos de posicionar a percepção de um país no exterior e projetar seus valores de forma a gerar admiração.

Isso é muito importante para o Brasil não apenas no campo da política externa ou na exportação de produtos, mas também na atração de investimentos em diversas áreas (inclusive na educação, friso aqui) e, principalmente, de turistas. Apesar da potência de suas belezas naturais, o país ainda recebe poucos visitantes quando comparado a outros destinos globais.

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Depois do sucesso de “Ainda Estou Aqui”, “O Agente Secreto” surge como mais um instrumento de soft power bem conduzido. Digo mais: o longa de Kleber Mendonça Filho é ainda mais rico nesse sentido, ao eleger como cenário principal uma cidade pouco conhecida no exterior — mas com uma cultura e beleza impressionantes. Falo de Recife, é claro.

Para se ter uma ideia da dimensão disso, destaco aqui o que a imprensa internacional está falando das indicações ao maior prêmio da sétima arte nesta quinta, 22:

“A mais nova ícone do Brasil é novata no cinema. Agora, ela é estrela de um concorrente ao Oscar.”

The New York Times

“Wagner Moura faz história como o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator.”

Deadline

“O cinema brasileiro marca presença pelos latinos nas indicações ao Oscar 2026.”

The Latin Times

“‘O Agente Secreto’ garante a segunda indicação do Brasil ao Oscar de Melhor Filme.”

The Hollywood Reporter

“Estrela de ‘O Agente Secreto’, Wagner Moura se torna o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator.”

Variety

“‘Valor Sentimental’ e ‘O Agente Secreto’ lideram a ofensiva internacional com indicações históricas ao Oscar.”

Deadline

“Indicado ao Oscar, Wagner Moura em sua trajetória de Escobar a superstar e ‘O Agente Secreto’.”

The Listener

“Coprodução holandesa ‘O Agente Secreto’ é indicada a quatro Oscars.”

NL Times

Tem até os holandeses tentando puxar para si parte dos louros da conquista!

Claro que este é apenas um recorte, feito no calor do momento, com foco em alguns veículos internacionais. Wagner Moura, por exemplo, já iniciou a necessária peregrinação pelos programas de entrevistas da TV dos EUA. Nas entrevistas, ele fala do Brasil e, é bom frisar, apresenta o nosso sotaque e jeito de ser. 

Até março — e, torço, para além disso — “O Agente Secreto” deve se converter em um verdadeiro “Agente de Turismo” ou até mesmo um “Agente de Comércio” do Brasil.

Dito tudo isso, a provocação: o PR já está sendo feito. Precisamos, aqui no Brasil, converter essa atenção em estratégias e ações reais para não perder esse bonde. 

Além disso, faz falta uma campanha de país para contornar um pouco mais essa exposição que, até aqui, vem sendo fragmentada e personalizada em nomes como o de Wagner e o da Fernanda Torres.