Hollywood não é mais o centro mundial do entretenimento

Hollywood já não é mais o centro da indústria do entretenimento. E isso não é uma provocação, nem um caça-clique. É um dado.

Por um século, o famoso bairro de Los Angeles foi tão forte na produção de cinema e TV que se tornou sinônimo da indústria do audiovisual. O problema é que a frase “Made in Hollywood, USA” deixou de ter o mesmo significado de antes.

No último ano, o número de produções em Los Angeles caiu 16%. Quando comparado ao período pré-pandemia, a queda chega a 53% em dias de gravação. Nos bastidores, o impacto é visível: menos trabalho, empresas fechando, um efeito cascata que atinge toda a economia da cidade.

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O volume de produção diminuiu. Mas não é só isso: ele também se deslocou.

Nova York, Atlanta, Vancouver, Londres — e até países como a Nova Zelândia — passaram a disputar esse espaço com políticas públicas agressivas, incentivos fiscais e custos mais baixos. A própria Netflix está construindo um novo lote de estúdios em Nova Jersey, fora do eixo tradicional.

Há décadas, os grandes estúdios passaram a operar menos como centros criativos concentrados e mais como estruturas de financiamento, propriedade intelectual e distribuição, deixando a produção cada vez mais descentralizada.

Hollywood não deixou de existir, mas deixou de ser o lugar onde tudo acontece por padrão.

Isso abre uma discussão que vai da política — com pressão por incentivos e preservação de empregos — até o próprio modelo de negócios dos estúdios. Em um momento de consolidação, os conglomerados de mídia passam a tratar seus terrenos e infraestrutura também como ativos financeiros — que podem ser vendidos para fazer caixa e reduzir dívida.

No fim, a questão talvez não seja se Hollywood acabou, mas qual papel passa a ocupar daqui para frente.

Escrevi sobre isso na minha coluna Na Sua Tela, no UOL. Leia clicando aqui.