Segunda guerra do streaming

Estamos na segunda guerra do streaming

Você abre o streaming na TV, aperta o play e, no meio do episódio, surgem três ou quatro intervalos comerciais que não podem ser pulados. Às vezes, com mais de um minuto e meio de duração.

Se essa experiência parece cada vez mais frequente, não é impressão. Ela é o sintoma mais visível do que chamo de segunda guerra do streaming – embora o mercado prefira usar palavras como “maturidade” ou “estabilização”.

A primeira foi marcada pela chegada da Netflix e pela corrida desenfreada por assinantes. Planos baratos, exclusividades, expansão global financiada por investidores e grandes grupos lançando seus próprios serviços para não ficarem para trás. O objetivo era crescer.

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Agora, o produto é o seu tempo e a sua tolerância — e quanto você está disposto a pagar quando ela acaba.

O modelo baseado apenas em assinaturas mostrou limites. Crescer ficou mais caro, o compartilhamento de senhas precisou ser reprimido e o fluxo de caixa passou a falar mais alto. Os planos com publicidade tornaram-se peças centrais.

Ao mesmo tempo, o YouTube consolidou-se como infraestrutura para estúdios e criadores, exibindo publicidade em escala massiva, enquanto TikTok e Instagram fragmentam ainda mais o nosso tempo de tela. A disputa deixou de ser apenas por assinantes e passou a ser por watch time.

Quanto mais tempo você passa em uma plataforma, mais ela rentabiliza com anúncios. Não por acaso, um anúncio na Netflix pode custar múltiplas vezes mais do que no ecossistema do Google.

É nesse cenário que esportes ganham peso, direitos de transmissão inflacionam, combos voltam à moda e empresas como Amazon e Roku tentam resolver parte do caos pelo ponto de vista da descoberta. Ao mesmo tempo, gigantes disputam escala e catálogo em negociações bilionárias, como a investida da Netflix sobre a Warner e a proposta hostil envolvendo a Paramount.

No fim do dia, a pergunta que sobra é menos “qual streaming assinar?” e mais “quanto vale o meu tempo e a minha paciência?”.

Na coluna Na Sua Tela desta semana no UOL, explico o que é essa segunda guerra do streaming, por que ela está mudando o modelo de negócio do entretenimento — e como ela afeta diretamente o seu bolso e o seu tempo.

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