A corrida pela inteligência artificial vai deixar seus novos smartphones e computadores mais caros em 2026. Ou até inviabilizar totalmente o seu upgrade — justamente nos equipamentos que usamos hoje, no dia a dia. É mais um sinal de como isso a IA encarece smartphones ao pressionar toda a cadeia de hardware.
Você provavelmente já leu em algum lugar: todo esse atual movimento está acelerando os investimentos em grandes data centers — e, claro, em equipamentos para o treinamento dessas IAs.
Na prática, isso está se refletindo em um direcionamento massivo de recursos para esse novo mercado, que tem margens melhores — ou seja, que paga melhor. Fabricantes de GPU, como a Nvidia, por exemplo, estão pressionando fabricantes de chips como a TSMC, que é a mesma fornecedora da Apple — sendo responsável pela fabricação dos chips de iPhones e Macs.
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A newsletter SemiAnalysis publicou uma interessante reportagem sobre como isso está se desenrolando na prática. De forma bem resumida: podemos ter PCs com processadores desenvolvidos a partir de designs mais caros, complexos e orientados a workloads de IA, com ganhos menos perceptíveis para o uso cotidiano.
Existe, também, uma falta generalizada de DRAM e NAND Flash (ou seja, de memória RAM e armazenamento) — componentes que também são essenciais para a inteligência artificial. Estimativas apontam um aumento de 15% a 20% nos custos de fabricação de computadores, por exemplo — o que se explica, na prática, como a IA encarece smartphones
Não para por aí. A Nikkei Asia, apenas para ficar em mais um exemplo, aponta que está faltando fibra têxtil (glass cloth fiber) — insumo importante para placas de circuito impresso e substratos de chips. Apple, Nvidia, Google e Amazon estão todos disputando esse produto.

Indo direto ao ponto: o seu próximo computador ou celular pode ficar muito mais caro do que cabe no seu bolso. Ou a inovação trazida por ele pode não ser suficiente para justificar o upgrade.
Isso também bota pressão no mercado B2B, com impacto direto no usuário final. Fica mais caro para que streamings invistam em novos servidores, CDNs etc. A Netflix pode absorver ou até repassar esses custos, mas como ficam as plataformas menores? Ou ainda quem presta serviços digitais hospedados na infraestrutura de terceiros?
Isso tudo sem entrar no mérito da disputa política, das tarifas, dos controles de exportação e importação e muito mais. Se for entrar nessa parte, é uma conversa para horas a fio.
O futuro da IA é realmente instigante, mas talvez o custo seja vender o almoço para poder comprar o jantar.
