Sozinho, o YouTube gera 32,7% de receita a mais do que toda a Netflix. Mas essa é a manchete fácil na leitura do “YouTube vs Netflix”. Há muitas nuances a mais.
Nas últimas semanas, Alphabet (a holding que controla o Google e, por consequência, o YouTube) e Netflix divulgaram seus balanços do quarto trimestre de 2025. Por isso, é possível comparar como duas das maiores plataformas de streaming do mundo se saíram no ano passado.
Considerando a receita com publicidade e assinaturas, o YouTube gerou mais de US$ 60 bilhões ao longo do ano. Já a Netflix, como um todo, ficou em US$ 45,2 bilhões.
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Tem mais: a companhia do grande “N” afirma que chegou à marca de 325 milhões de assinaturas em todo o mundo. Coincidentemente, o Google diz ter alcançado o mesmo número, mas sem quebrar o dado por serviço — apenas sinaliza que esse bolo de assinaturas é “liderado por Google One e YouTube Premium”.
O pulo do gato é que essas duas plataformas operam de forma completamente diferente.
YouTube vs Netflix
O YouTube joga no volume. Há uma quantidade inimaginável de uploads de vídeos a cada segundo, entregues de forma hipersegmentada. A plataforma é aberta para qualquer um, e a receita obtida com publicidade e assinaturas é dividida com esses produtores. Licenciamento, quando ocorre, fica restrito a casos raríssimos.
O Google não divulga dados específicos sobre esse tipo de gasto, mas, em uma conta de padeiro, ele deve estar na casa dos US$ 30 bilhões.
O foco não é necessariamente vender assinaturas, mas monetizar toda a atenção gerada. Por isso, sozinho, o YouTube teve uma receita anual com publicidade de US$ 40,37 bilhões.
A Netflix, nesse prisma, é a do conteúdo profissional — feito apenas por estúdios e produtoras, licenciado para a plataforma. Em alguns casos, a própria empresa é dona da propriedade intelectual. Aqui, não é sobre volume, mas sobre qualidade de atenção. “Nem toda visualização é criada igual”, disseram em seu balanço.
É algo que o YouTube não tem por design — e que também vira um risco justamente por não haver total controle.

Obviamente, esse controle de contexto é caro. A Netflix não informa de forma direta quanto gasta com conteúdo, mas afirma ter despesas operacionais de US$ 31,8 bilhões.
Isso também ajuda a explicar o interesse em pagar US$ 82,7 bilhões pelos estúdios e pelo streaming da Warner Bros. Discovery. A ideia é, dentro do seu modelo de negócio, construir algo que consiga bater de frente com o próprio YouTube.
E eles precisam: a receita anual de publicidade foi de apenas US$ 1,5 bilhão, o que representa irrisórios 3,7% do que a plataforma do Google faz nessa frente.
As duas abordagens distintas se refletem nos resultados de audiência. De acordo com dados de dezembro da Kantar Ibope, o YouTube concentra 21,6% do share de audiência de vídeo no Brasil, enquanto a Netflix fica com 5,6%.
Por outro lado, informações de mercado indicam que o serviço do “N” vermelho opera com CPMs entre US$ 25 e US$ 65, enquanto o do concorrente costuma ficar entre US$ 4 e US$ 15.
A disputa por esse dinheiro é a segunda guerra do streaming.
