Você realmente acredita que escolhe o que assiste? Em 2026, essa talvez seja a pergunta mais desconfortável — e mais importante — do entretenimento. Afinal, a IA redefine o que assistimos — e não estamos nem percebendo.
Digo isso porque, enquanto seguimos discutindo séries, filmes e plataformas como se tudo ainda fosse apenas uma questão de gosto pessoal, o jogo já mudou.
A inteligência artificial impacta o que assistimos mesmo quando o conteúdo é 100% real. Ela está nos algoritmos dos feeds infinitos, das recomendações e da curadoria — determinando o que aparece, o que se repete e o que simplesmente desaparece da nossa frente.
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Nesse ambiente, sistemas automatizados passam a definir prioridades, hierarquias e incentivos. Não é só sobre sugerir algo “parecido”, mas sobre decidir o que ganha destaque e o que morre na sombra. Para quem produz audiovisual hoje, ignorar isso é correr o risco de cair no ostracismo.
O resultado é paradoxal. Nunca produzimos e consumimos tanto conteúdo, mas tão pouco permanece conosco depois. Trocamos memória por estímulo, reflexão por repetição.
É justamente nesse contexto que a defesa do cinema ganha outro significado: o de resistência a uma lógica em que tudo precisa capturar atenção em três segundos.
Na Na Sua Tela desta semana, no UOL, trago esse debate sobre como a IA redefine o que assistimos. A questão central não é se a tecnologia é boa ou ruim, mas por que não podemos abrir mão da curadoria e do olhar humanos.
