Ontem, dia 7 de abril, foi o Dia do Jornalista. E eu fiquei pensando bastante na minha mãe.
Foi ela quem, desde sempre, apoiou minhas escolhas – incluindo a de ser jornalista. Mesmo que isso representasse estudar longe, morar em outra cidade.
Em 2006, com 21 anos, eu fiz a minha estreia no rádio. Ao vivo, de “supetão”, na Cacique AM, lá de Santos.
Quando acabou, recebi um SMS no celular: “Ouvi tudo. Estou muito orgulhosa de você!”.
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Ao chegar em casa, questionei como ela sabia que eu ia entrar no ar naquele dia – eu mesmo nem imaginava. “Eu simplesmente sabia”, ela disse.
Só que eu não escapei da bronca. Até então, eu assinava apenas Renan Frade, como dita o padrão jornalístico.
“Não gostei que você não usou meu sobrenome.”
“Mas mãe, é assim. E ‘Renan Martins’ vai ficar muito comum”, respondi.
“Não importa, você não é filho de chocadeira.”
Como um bom filho que leva o casaco porque a mãe mandou, eu obedeci e passei a assinar com o nome completo. Coincidência ou não, a carreira começou a fluir.
Nesses mais de 20 anos, fiz de tudo no jornalismo. Mas, na semana passada, tive mais uma primeira vez: a de participar ao vivo de um telejornal, direto do estúdio, na Times | Licenciado Exclusivo CNBC.

Porém, quando o programa acabou, uma nova mensagem não veio.
Minha mãe faleceu pouco mais de dois anos depois daquele dia na Cacique, em 2 de outubro de 2008.
Mas o sobrenome dela estava lá, como ela me pediu.
Obrigado, mãe.
